“Família não é o lugar onde você nasce…é o lugar onde, pela primeira vez, você decide ficar.”
O momento ainda pairava no ar, carregado de significado. Como se o mundo tivesse diminuído de tamanho apenas para caber os três ali… juntos.
Até que o som da porta principal se abrindo com força ecoou pelo hall. Passos apressados, risos e uma voz conhecida, vibrante, preencheu o ambiente antes mesmo da presença surgir completamente.
— EU CHEGUEI!
Sophia virou o rosto na mesma hora, com os olhos ainda brilhando, mas agora acesos por uma nova energia.
— TIA BIA!
E então ela apareceu.
Beatrice atravessou a entrada como um pequeno furacão elegante, os cabelos levemente desalinhados pela pressa, os olhos iluminados por uma ansiedade impossível de conter, enquanto segurava nas mãos uma caixa cuidadosamente embrulhada com papel delicado e laço perfeito, uma daquelas caixas que já prometiam emoção antes mesmo de serem abertas.
Logo atrás dela vinha Alessandro.
Ele caminhava com muito menos pressa, mas carregando algo que tornava impossível ignorar sua presença.
Um urso gigante, quase do tamanho dele, com um laço azul perfeitamente colocado no pescoço.
— Eu ainda não entendi por que eu tenho que carregar isso — murmurou, embora um sorriso discreto entregasse que não estava reclamando de verdade.
— Porque você é forte e eu sou delicada — respondeu Beatrice sem sequer olhar para trás.
Sophia já estava correndo na direção deles.
— TIA BIA! — gritou, se jogando nos braços da mulher com entusiasmo.
Beatrice riu, largando a caixa em uma das mãos apenas para conseguir abraçar a menina de volta, apertando-a com carinho.
— Meu Deus, você tá tremendo! — disse, afastando-se um pouco para olhar o rosto dela — vocês já descobriram?
Os olhos dela imediatamente procuraram Elena, depois o irmão, depois voltaram novamente para a cunhada.
— E então? — perguntou, com a voz agora mais baixa, porém carregada de expectativa — é menino ou menina?
O silêncio durou menos de um segundo.
Porque Sophia simplesmente não era capaz de guardar aquilo. Ela praticamente pulou no lugar.
— ACERTAMOS TIA BIA, É UM MENINO!
O grito ecoou pela sala.
— UM MENINOOOO!
Beatrice levou as mãos à boca enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
— Um menino… — repetiu, com a voz falhando de emoção.
E então ela riu e chorou ao mesmo tempo.
— Eu sabia! — disse, se aproximando rapidamente de Elena — eu sabia, eu sentia!
Ela envolveu Elena em um abraço apertado, cuidadoso com a barriga, mas intenso o suficiente para transmitir tudo o que sentia.
— Parabéns… — sussurrou, emocionada — meu Deus, um menino…
Alessandro se aproximou logo depois, ainda segurando o urso gigante, parando ao lado de Damian por um segundo antes de olhar para o amigo com um meio sorriso.
— Parabéns — disse, simples, mas firme — você se safou se fosse outra menina você iria infartar antes de completar quarenta anos.
Damian soltou um breve sopro pelo nariz, quase um riso contido.
— Verdade.
— Onde eu coloco isso? — perguntou Alessandro, levantando levemente o urso.
— Aqui! — Sophia respondeu, puxando-o pela mão com entusiasmo. — Esse é o urso do Brandon, vamos colocar no quarto dele, depois que eu e tia Bia começamos a organizar ele todinho.
Elena observava tudo com um sorriso suave nos lábios, com os olhos ainda úmidos, mas agora brilhando de um jeito diferente.
Era o amor na forma mais simples… e mais completa. E Elena estava rodeada por todos que amava.
Sophia já estava no meio da sala, gesticulando com uma empolgação impossível de conter, enquanto puxava Beatrice pela mão, praticamente arrastando a tia para dentro de um plano que só existia na cabeça dela, mas que, de alguma forma, já parecia absolutamente real.
— A gente precisa de um quarto azul! — dizia, animada, abrindo os braços como se já estivesse desenhando o espaço no ar — mas não muito escuro, porque ele é bebê, então tem que ser um azul de bebê… e também precisa de bichinhos!
— Muitos bichinhos — concordou Beatrice imediatamente, entrando na energia com zero resistência — leões, elefantes, girafas…

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