“Alguns amores não terminam com a partida… eles apenas mudam de forma e continuam protegendo de longe.”
Sophia disse aquilo com uma certeza que não combinava com a idade, como se não fosse apenas um palpite, mas uma lembrança.
— Eu sabia que ia ser Brandon, Lena.
Elena riu, emocionada, enquanto acariciava os cabelos da menina, ainda sem perceber completamente o peso por trás daquela certeza infantil.
— E como você sabia disso?
Sophia não respondeu imediatamente. Os dedos pequenos ainda estavam enroscados no tecido do vestido de Elena, como se buscassem ali uma âncora, algo firme o suficiente para sustentar o que ela estava prestes a dizer.
Então ela levantou o rosto devagar.
Os olhos verdes estavam úmidos, mas não era só emoção.
Era… lembrança.
— Porque eu sonhei… — disse, baixinho.
O sorriso de Elena vacilou. A mão que estava nos cabelos da menina desacelerou, como se cada movimento agora precisasse de mais atenção.
— Sonhou?
Sophia assentiu. E, por um instante, o mundo ao redor pareceu ficar mais silencioso, como se até as paredes da mansão soubessem que aquele momento precisava ser ouvido com cuidado.
— Eu estava no jardim… — começou, com a voz suave, quase distante, como se ainda estivesse lá — aquele de antes… com as flores brancas e a árvore grande…
Elena prendeu a respiração. Porque ela sabia exatamente qual jardim era aquele.
Sophia continuou:
— E aí… eu não estava sozinha.
Fez uma pequena pausa. E continuou falando com os lábios tremendo de leve.
— A mamãe apareceu.
O ar pareceu desaparecer do ambiente. Elena sentiu o peito apertar de uma forma súbita, quase dolorosa, enquanto os olhos marejavam sem que ela pudesse impedir.
— Ela estava linda… — Sophia sussurrou, com um sorriso pequeno surgindo no meio das lágrimas — igual nas fotos… mas melhor… ela parecia… feliz.
A voz falhou por um segundo. Mas ela continuou.
— Ela veio até mim… e disse que estava muito feliz… muito orgulhosa da gente.
Elena levou a mão à boca, tentando conter o tremor que começava a tomar conta do corpo.
— Da gente? — perguntou, quase em um sopro.
Sophia assentiu.
— De você principalmente, Lena. Por tudo o que você fez por mim, para eu ficar curada. Ela disse que estava sempre ao seu lado, segurando a sua mão e a minha.
As palavras atingiram Elena com uma força silenciosa. E então Sophia continuou, ainda segurando a cintura da irmã como se não quisesse soltá-la:
— Ela disse que agora… a minha missão era proteger o Brandon.
O nome saiu com uma naturalidade que arrepiava. Como se já fosse parte deles.
— E eu prometi — completou, com uma firmeza que não combinava com a idade — eu segurei a mão dela e prometi.
As lágrimas agora escorriam livremente pelo rosto de Elena. Mas Sophia ainda não tinha terminado.
— E o papai também estava lá…
O coração de Elena apertou ainda mais.
— Ele fez carinho no meu cabelo… — continuou, a voz suavizando — igual ele fazia antes de dormir… e disse que amava a gente. E disse que o tio Damian era um bom homem e que ia cuidar de nós três agora.
Foi a vez de Damian se emocionar com o que ouvia.

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