“Algumas histórias começam com desejo… as mais raras começam quando alguém decide ficar.”
Damian Cavallari nunca teve medo de perder.
Ele havia construído um império inteiro tomando decisões difíceis, abrindo mão do que fosse necessário e mantendo o controle mesmo quando tudo ao redor ameaçava ruir.
Naquela noite, pela primeira vez na vida, Damian Cavallari percebeu que existiam coisas que ele não sobreviveria perdendo.
O salão já estava completamente tomado por uma atmosfera que transcendia o simples conceito de elegância, transformando-se em algo quase sagrado, como se cada detalhe, da iluminação suave que descia em cascata pelos lustres de cristal até o silêncio respeitoso dos músicos que aguardavam, tivesse sido cuidadosamente orquestrado para eternizar aquele instante específico, aquele único momento em que duas vidas deixavam de existir separadamente para se tornarem uma só diante dos olhos do mundo.
E então… aconteceu.
Os primeiros acordes de Hallelujah se espalharam pelo ambiente com uma suavidade quase reverente, preenchendo cada espaço, cada respiração, cada batida de coração presente naquele salão.
E foi exatamente nesse instante que Damian Cavallari perdeu completamente o controle da própria respiração, como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões sem aviso, deixando apenas a consciência brutal e avassaladora do que estava diante dele.
Porque Elena estava ali. Não apenas linda, nem deslumbrante. Mas absolutamente impossível de ignorar, de compreender, de conter dentro de qualquer definição que o mundo já tivesse criado para beleza.
O vestido branco deslizava sobre o corpo de Elena com uma perfeição que parecia ir além do simples cuidado de um estilista, como se cada centímetro daquele tecido tivesse sido pensado não apenas para vesti-la, mas para contar, em silêncio, a história de tudo o que ela havia atravessado até chegar ali: cada escolha, cada medo, cada momento em que decidiu ficar quando fugir teria sido mais fácil.
A renda delicada não apenas acompanhava suas curvas, mas as celebrava com uma elegância, desenhando com suavidade a linha do seu corpo até repousar, sobre a curva mais preciosa de todas.
A barriga.
E quando ela sorriu… o tempo deixou de existir para Damian, como se, por alguns segundos, o mundo inteiro tivesse sido reduzido àquela expressão, àquele gesto simples e, ainda assim, devastador.
Porque não era apenas um sorriso. Era a confirmação silenciosa de tudo aquilo que ele nunca havia planejado sentir… e que, ainda assim, agora definia tudo o que ele era.
— Está pronta para dançar, senhora Cavallari?
Elena não respondeu imediatamente. Não porque não quisesse, mas porque, naquele instante, também não conseguia. As emoções se acumulavam dentro dela de uma forma tão intensa que qualquer palavra parecia pequena e insuficiente demais para traduzir o que sentia.
Então, em vez de falar, ela apenas apertou levemente a mão dele. E foi o suficiente.
Porque naquele toque havia resposta, havia escolha, havia promessa.
A música cresceu ao redor deles, envolvendo-os como se o mundo inteiro estivesse conspirando para aquele momento.
E então ele a puxou para a valsa.
O movimento começou lento, quase hesitante, como se até Damian estivesse, pela primeira vez, entrando em um território onde o controle não vinha da mente, mas do coração.
Mas então… ele encontrou o ritmo, e quando encontrou, não soltou mais.
A mão dele firme na cintura dela não apenas guiava os passos, mas sustentava, protegia, afirmava, enquanto Elena se deixava conduzir com uma confiança que não precisava ser declarada, entregando-se ao movimento como se estar nos braços dele, fosse o único lugar no mundo onde ela realmente pertencia.
A voz de Hallelujah envolvia tudo.
E cada giro, cada aproximação, cada respiração compartilhada carregava mais do que dança.
Carregava história, escolha, entrega, amor…
E quando ele a girou lentamente, trazendo-a de volta contra o próprio corpo com uma delicadeza que contrastava com a força que sempre o definiu, os rostos ficaram próximos o suficiente para que o mundo desaparecesse outra vez.
Próximos o suficiente para que apenas eles existissem.

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