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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 33

Elena Rossi

Percebendo que eu não me movia, ela riu. Uma risada baixa, gostosa, que preencheu o corredor de um jeito inesperado.

— Eu sou Teresa, governanta da casa. Se precisar de algo, qualquer coisa, pode falar comigo.

Assenti, sentindo um pequeno alívio por ver um rosto humano que não tentava me medir, nem me comprar, nem me analisar.

— Obrigada, dona Teresa.

Ela inclinou a cabeça, satisfeita com o tratamento.

— O senhor Cavallari pediu que eu a informasse que o desjejum será servido no jardim. — disse, retomando o tom formal, mas sem perder a doçura. — Ele já está à sua espera.

À sua espera.

As palavras caíram dentro de mim como uma pedra no lago ainda meio calmo da minha mente.

— No jardim? — repeti, só para ganhar tempo.

Teresa sorriu, como se entendesse mais do que dizia.

— Vai ver. É bonito a essa hora. — apontou com um gesto delicado na direção do fim do corredor. — Siga até o salão principal, vire à direita. As portas de vidro estarão abertas.

— Certo. — respondi. — Obrigada.

Ela segurou meu olhar por um segundo a mais do que o necessário.

Havia algo ali. Uma espécie de… cuidado silencioso. Como se ela quisesse dizer algo, mas soubesse que não podia.

— Bom dia, senhorita. — disse por fim, e se afastou pelo corredor, carregando consigo o cheiro suave de café e pão recém-assado.

Fiquei alguns segundos parada, respirando. Depois, comecei a andar na direção indicada.

Cada passo pelo corredor parecia mais longo do que deveria ser. Meus dedos se contraíam levemente, como se quisessem agarrar a barra do vestido, mas eu mantive as mãos soltas ao lado do corpo. Precisava parecer calma. Nem que fosse só por fora.

Passei por quadros que não tive tempo de decifrar, por portas fechadas que escondiam histórias que não me interessavam. A mansão, ali, parecia uma sucessão de escolhas que nunca foram minhas.

Quando cheguei ao salão principal, a luz era diferente.

Mais forte, mais dourada, filtrada por grandes portas de vidro que davam para o exterior. O cheiro de grama úmida e flores chegou antes de eu ver o jardim, misturado a um leve aroma de café.

Dei alguns passos em direção às portas, sentindo o coração acelerar conforme cada centímetro de distância para ele diminuía.

Mas… não cheguei até lá.

— Olá.

A voz veio da esquerda. Suave, mas clara o suficiente para me fazer parar imediatamente.

Virei o rosto e a vi.

Encostada de leve no batente entre o salão e um corredor lateral, uma jovem mulher me observava com curiosidade aberta. Era linda. Não aquela beleza agressiva, mas a beleza que parece ter sido esculpida com tempo e cuidado.

Os cabelos caíam em ondas longas até abaixo dos ombros, num castanho dourado que capturava a luz de um jeito quase indecente. Os olhos eram de um azul límpido, vivo, um azul que eu já tinha visto antes, em outra intensidade, num tom mais cortante.

Capítulo 33 - Na Órbita Dele 1

Capítulo 33 - Na Órbita Dele 2

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