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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 32

Elena Rossi

O amanhecer chegou devagar, mas não teve piedade.

A primeira coisa que senti foi a luz. Um fio tímido atravessando a fresta da cortina pesada, riscando o quarto em tom dourado pálido. A segunda coisa foi o peso. Não no corpo, mas no peito. Como se a noite anterior tivesse se solidificado ali dentro.

Pisquei algumas vezes, tentando me situar.

Não era o quarto do hospital, nem o do meu apartamento. Era o quarto na casa dele.

Lençóis impecáveis, brancos, frios demais para combinar com a bagunça dentro de mim. O teto alto, o silêncio absoluto, a sensação de que eu era um ponto de cor deslocado no cenário perfeito.

Virei o rosto no travesseiro e o cheiro do tecido alcançou meu nariz, aquele perfume discreto de amaciante caro, misturado a algo que não conhecia.

Suspirei fundo.

O relógio digital na mesa de cabeceira marcava 06:02.

Passei a mão pelo rosto. A pele estava levemente inchada, evidência clara do choro da noite anterior. A maquiagem tinha ido embora, restando apenas um borrão discreto na região dos olhos. Toquei a própria face como quem confirma um estrago que já sabe que existe.

— Levanta, Elena… — murmurei para mim mesma. — Drama demais não vai salvar Sofia.

Joguei as pernas para fora da cama e os pés encontraram o tapete macio. A textura gentil sob a pele contrastava com a dureza do chão que eu estava acostumada a pisar. Era estranho como o corpo se adaptava tão rápido ao conforto, mesmo quando a alma queria o oposto.

Caminhei até o banheiro e me surpreendi com o tamanho e o luxo. Parei diante de um espelho enorme e por um alguns segundos, fiquei observando o meu reflexo.

Eu estava com o rosto borrado da maquiagem, e os olhos levemente inchados pelo choro. Precisava me recompor, porque diante de toda escuridão que estou vivendo, hoje eu viria a minha irmãzinha.

Tirei o vestido e entrei no box do banheiro girando o registro. A água caiu com força, aquecendo o ambiente num instante. Entrei devagar, sentindo o calor escorrer pela pele, tentando arrancar um pouco da noite que ainda estava em mim.

Fechei os olhos.

Por alguns segundos, não havia mansão, nem contratos, nem helicópteros… só o barulho da água. Deveria ser um alívio, mas a mente não obedecia. E, como se tivesse sido convidado, ele voltou.

O olhar sem pressa, a voz baixa, o “comigo” dito como uma sentença, a mão quente segurando a minha, aquele toque rápido que não deveria ter significado nada e, ainda assim, queimava sob a memória.

Abri os olhos de súbito, irritada comigo mesma.

— Chega. — falei, mais alto do que queria.

Lavei o rosto, o pescoço, o corpo. Fiz movimentos mecânicos, quase profissionais, como quem executava um ritual de limpeza que não tinha nada de espiritual. Era uma preparação, uma armadura. Se eu ia ver Damian de novo naquela manhã, eu não faria isso como a garota que chorou encostada na cama. Eu faria como alguém que ainda tinha alguma coisa de pé.

Saí do banho enrolada numa toalha felpuda, caminhando até o closet que haviam preparado para mim. As portas escancaradas exibiam cabides alinhados, vestidos de cortes perfeitos, cores sóbrias, tecidos que eu reconhecia de revistas, não da vida real.

Mas eu não queria parecer uma boneca que ele vestiu.

Abri a gaveta mais discreta e procurei algo que fosse simples. Algo que pudesse ser meu, ainda que tivesse o cheiro da casa dele.

Capítulo 32 - Antes Que Ele Me Veja 1

Capítulo 32 - Antes Que Ele Me Veja 2

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