Elena Rossi
Os dedos dele encostaram na base do meu pescoço, frios e controlados. Nenhum gesto foi demorado, nenhum movimento, acidental. Mesmo assim, o simples contato pareceu acender algo embaixo da minha pele, uma corrente que subiu pela espinha e me fez prender o ar sem perceber.
Ele ajustou a joia com lentidão, o polegar roçando de leve a curva do meu pescoço, apenas o suficiente para provar um ponto que eu não entendia.
— Está tremendo. — disse com a voz baixa, próxima o bastante para que eu sentisse o calor das palavras roçarem minha nuca.
Fechei os olhos.
— Está frio. — menti, sentindo a minha respiração falhar.
Senti o fecho se encaixar, um clique suave, metálico e logo o peso da joia desceu, repousando sobre a pele exposta do meu peito. O toque dele cessou, mas o corpo ainda reagia como se não soubesse o que fazer sem aquele breve contato.
Ele não se afastou.
Pude sentir a presença dele logo atrás, imóvel, respirando com calma. As mãos, embora não me tocassem, ainda cercavam o espaço, como se me prendessem dentro de um território invisível.
— Rubis são raros. — murmurou, com a voz agora quase um sussurro. — Nascem sob pressão.
— E os que não? — perguntei tentando parecer casual.
— Viram facas.
As palavras me atravessaram lentamente, cada sílaba como um fio de fogo percorrendo o ar entre nós.
— Qual deles é você, Elena? — perguntou, com a voz descendo em um tom baixo demais para ser apenas curiosidade.
Minha garganta fechou.
— Eu… eu ainda não sei. — respondi, e percebi a própria voz trêmula.
Ele sorriu, um som contido, breve, mais um indício de satisfação do que de gentileza.
— Descobriremos em breve. — disse, por fim, e se afastou apenas o suficiente para que eu pudesse respirar de novo.
Virei-me devagar.
O colar refletia tons de fogo sobre o tecido vermelho do meu vestido, e por um instante, não soube se aquela joia me tornava bela ou marcada.
Damian me observava.
As mãos repousavam nos bolsos do terno, o corpo inclinado ligeiramente para a frente, como quem avalia uma reação prevista. Os olhos cinzentos, duros e intensos, desciam da jóia até meu rosto com um controle quase cruel.
— Está perfeita. — disse, por fim.
A frase foi dita sem emoção, mas algo nela me fez corar.
— Isso é um elogio? — consegui perguntar, tentando manter a voz firme.
Então, o meio sorriso apareceu.
Discreto, frio, perfeitamente calculado.
— Entendo. — murmurou. — Acreditar é um começo. Saber o que fazer com isso… é o que vem depois.
A voz dele era calma, mas carregava um tipo de poder que não precisava ser imposto.
Ele não me ameaçava. Ele apenas existia e isso já bastava.
Tentei manter o que restava da minha firmeza, mas sabia que ele percebia. Ele via o medo, o desconforto, o coração acelerado. E talvez, em algum nível, gostasse disso.
— Vamos, senhorita Rossi. — disse por fim, abrindo a porta com naturalidade. — Um jantar nos aguarda.
Dei um passo hesitante, mas o corpo não se moveu de imediato. Ele me olhou por cima do ombro, impaciente, e naquele breve instante, eu percebi que não era apenas um convite, era um teste.
Respirei fundo e o segui, sentindo o frio da noite me envolver quando deixei o quarto.
O som dos passos dele ecoava pelo corredor, calmo, firme, inquebrável.
E enquanto caminhava atrás dele, um pensamento atravessou minha mente com a nitidez de uma ameaça:
Naquela mesa, o que seria servido não era o jantar… seria eu. A porta do elevador abriu antes do nosso passo. Não estávamos sozinhos

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