“O amor de um homem se mede pelo que ele protege.”
Elena Rossi
O portão da mansão Cavallari se abriu com a suavidade de quem já me reconhecia. O motorista conduziu o carro até a entrada principal. Era aproximadamente três da tarde, quando desci do carro. O vento trouxe o perfume de lírios do jardim, suave o suficiente para me prender por um segundo.
Beatrice havia ficado no museu para resolver algumas pendências. Eu deveria estar cansada, afinal, andamos por horas e falamos mais ainda. No entanto, a verdade é que a exaustão não vinha do corpo, vinha do que Beatrice me fez enxergar.
Cada detalhe da casa me pareceu diferente quando entrei. Como se a conversa no museu tivesse reposicionado tudo um centímetro para o lado. O piano fechado na sala, os quadros que eu nunca realmente tinha observado, a escada de mármore que agora parecia uma metáfora ambulante de tudo o que Damian era, sólido, frio, bonito, e construído sobre fundações que ninguém questiona.
Eu sorri sozinha enquanto subia as escadas. Era curioso como algumas pessoas precisavam de anos para conhecer alguém e eu havia descoberto mais sobre Damian Cavallari em uma tarde passeando com a irmã dele do que em todos os meses em que dividimos a mesma casa.
Gostei de ter conhecido aquela parte dele. Aquela parte que não era contrato, nem poder, nem controle. A parte que vinha antes da frieza e da guerra interna que ele aprendeu a travar sozinho.
Ouvir Beatrice falar sobre os pais me atravessou de um jeito estranho. Doía e confortava ao mesmo tempo. Perdi meus pais ainda muito nova, mas lembro do quanto eles se amavam e de como nossa família era feliz, até o fatídico dia do acidente.
Mas quando Beatrice contou sobre o pai, eu cheguei a conclusão de que a frieza de Damian, não parecia um capricho. A forma que agia com indiferença, não era por arrogância. E quando ele escolhia silenciar, não era porque não se interessava.
Na verdade, Damian havia descoberto que o silêncio é mais cortante do que lâminas e talvez sem saber imitava o pai para confrontar a memória do que o feriu.
Entrei no quarto e fechei a porta devagar, como se qualquer ruído pudesse quebrar o que ainda estava sendo processado dentro de mim. Saber de onde ele veio me fez entender o jeito que ele age e de repente tudo o que ele faz, começa a fazer sentido.
A mãe dele amava arte, e ele a amava. Isso dava para ver na forma como Beatrice falava, no cuidado com cada detalhe do museu, na reverência silenciosa que pairava nas imagens de Francesca. Era amor, simples e bruto. Aquele tipo de amor que não precisa ser explicado para ser compreendido.


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