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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 79

“Amar é simples. Sobreviver ao amor é complicado.”

Elena Rossi

A noite anterior veio inteira.

A boca firme, o beijo que não pediu permissão, a mão que segurou a minha nuca com a posse de quem sabe exatamente o que está fazendo. O aperto na cintura, o calor que subiu pelas minhas costas, o modo exato como ele falou o meu nome, grave, baixo, quase como um aviso.

Mas não foi só isso.

Foi ele me conduzindo ao banheiro com a naturalidade de quem resolve crises e não cenas românticas. Foi o cuidado ao me despir, não como quem toma, mas como quem assume responsabilidade. A água quente escorrendo pela pele, o vapor preenchendo o ambiente, e a sensação de que nada ali era comum.

O beijo veio mais ardente, sem intervalo, sem hesitação. E então ele se ajoelhou diante de mim, não como súdito, mas como homem que sabe o que faz com as mãos e com a boca quando decide derrubar qualquer defesa que ainda restou. O prazer veio rápido, profundo e silencioso demais, para que eu pudesse processar. Eu me desfiz ali, entre o calor da água e a boca dele, como se o mundo inteiro tivesse ficado pequeno demais para conter o que acontecia entre nós.

Quando o corpo falhou, ele me carregou no colo. Como quem sabe que força e cuidado podem coexistir no mesmo gesto. Eu me aninhei contra o peito dele, ainda ofegante, sentindo o perfume da pele e o som grave da respiração. E ele me acolheu, sem dizer nada.

Nada daquilo combinava com frieza.

Era desejo, sim. Mas também uma estranha forma de carinho que eu não sabia decifrar e talvez nunca soubesse.

Meu estômago deu um nó e a compreensão veio sem aviso: eu não estava apenas atraída, eu estava apaixonada por Damian Cavallari.

E isso não fazia parte de contrato nenhum.

Fechei os olhos, tentando respirar. Amar alguém como Damian devia ser como segurar uma lâmina, inevitavelmente você vai se cortar, a pergunta é só “quanto”. E, pela primeira vez, eu não sabia se tinha medo ou vontade.

Meu celular vibrou na cama e quando vi o nome dele na tela, o meu coração cometeu o erro de esquecer que era um órgão funcional e decidiu virar personagem.

Atendi sem pensar.

— Damian?

— Se prepare — disse.

Ajeitei minha postura tentando entender o que ele queria dizer.

— Para quê?

— Alessandro vai buscar você — ele continuou, no mesmo tom de quem informa um horário de reunião. — Vai te levar para Milão.

A frase pousou no quarto com o peso de algo que muda planos antes de mudar destinos.

— Milão? — repeti, porque era isso que meu cérebro conseguiu formular. — Aconteceu alguma coisa com a Sofia?

— Ela teve alta da UTI e vai ser transferida para o apartamento.

Ele suspirou, muito baixo, quase imperceptível.

— Então não diga — respondeu. — Apenas vá.

E foi aí que me dei conta do que Beatrice havia me mostrado no museu: Damian não protege porque é nobre, não cuida porque é romântico, não salva porque quer ser herói, ele faz porque alguém um dia fez o contrário. E ele nunca superou.

Amar é simples. Sobreviver ao amor é complicado.

— Alessandro estará aí em quinze minutos — ele finalizou, voltando para o modo executivo, mas sem conseguir esconder completamente a outra camada. — Beatrice deve ir com ele.

Eu mordi os lábios e fiquei em silêncio por alguns segundos.

— Damian… Eu não sei se mereço isso.

Uma pausa mais longa dessa vez. Menos estratégica e mais humana.

— Sofia merece — respondeu. — E você… também Elena.

A ligação terminou antes que eu pudesse responder alguma coisa. Eu fiquei olhando para o celular como quem olha para uma passagem só de ida.

Amor não era o problema. Consequências eram.

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