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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 8

Elena Rossi

O ar ao redor parecia mais denso depois da resposta de Damian. Aquela frase ainda vibrava no salão como o som abafado de um trovão. O homem robusto que se chamava Bianchi, não disse mais nada, mas seu sorriso desapareceu como se alguém o tivesse apagado com a mão.

Damian manteve a postura tranquila, enquanto sua mão ainda permanecia firme na minha cintura, e o corpo alinhado ao meu como se mandasse no espaço ao redor. Não era afeição. Era uma posse disfarçada de cuidado.

Antes que o silêncio se desfizesse, duas figuras se aproximaram. Pareciam empresários, jovens demais para serem subestimados, velhos demais para serem imprudentes.

O primeiro deles sorriu quando seus olhos pousaram em mim. Era um sorriso apreciativo, calculado, perigoso.

— Cavallari… — disse ele, inclinando levemente a cabeça — devo admitir que esta noite você surpreendeu o salão. A senhorita é… deslumbrante.

Senti o calor subir ao rosto, mas antes que eu pudesse agradecer ou me encolher, Damian falou:

— Ela é.

O tom não tinha orgulho, tinha propriedade.

O empresário pareceu achar graça na resposta, e continuou:

— Elegante, também. Não é comum ver alguém com tanta… presença ao seu lado.

Damian apenas passou o polegar pela minha cintura, um toque quase inexistente, mas que dizia não responda.

O segundo empresário, porém, não tinha o mesmo tato. Eu o reconheci imediatamente, ele estava sentado atrás de Damian ontem à noite. Lembro que foi um dos primeiros a dar o lance, disputou, gritou números com euforia quase animal e quase me arrematou. Senti todo o meu corpo arrepiar com a lembrança, não de vergonha, mas da sensação sufocante de ser observada como uma mercadoria.

Ele nos analisou lentamente, sem pudor, como quem tenta me encaixar numa prateleira mental, avaliando, classificando, etiquetando.

— Curioso, Cavallari… — disse, girando o conteúdo da taça com um sorriso de lado. — No leilão, ela parecia… mais nervosa. — Os olhos dele percorreram meu corpo como um toque que eu não autorizei. — Mas com esse vestido… vejo que já sabe muito bem o valor que tem.

Minha garganta fechou.

O insulto não estava nas palavras, e sim no tom em que saíam, mas pior do que isso era o efeito ao redor.

Os outros homens próximos, três, talvez quatro, interromperam suas conversas, viraram-se, e me fitaram, não como se olhassem para uma mulher, mas para um item, algo exibido, oferecido, disponível.

Meu estômago revirou. Aquela atenção masculina, tão silenciosa quanto predatória, me fez sentir exposta de um jeito que nem no palco eu havia sentido.

Ali, no meio do salão, cercada por gravatas caras e sorrisos perigosos, eu era exatamente o que eles acreditavam ser:

Um corpo à venda.

Uma curiosidade de luxo.

Um brinquedo caro.

Meu pulso acelerou.

Senti o chão sumir debaixo dos meus pés.

Era apenas um comando. Uma confirmação do que exatamente eu era e o porquê estava ali naquele iate com ele.

Lara retomou minha mão e me conduziu pelos corredores.

Eu andava, mas não sentia os passos. O coração batia, mas não sabia se era indignação, medo ou algo ainda mais confuso.

Eu não olhei para trás, não faria diferença. Porque eu sabia que ali naquele círculo de homens que falavam de corpos como se falassem de cifras, eu era exatamente o que eles viam:

Um objeto caro. Algo que foi comprado apenas para entreter e que depois poderia ser descartado.

A dor me atravessou como uma lâmina fina, certeira. Por um segundo, apenas um, senti vontade de parar, encostar na parede mais próxima e desmoronar.

Mas eu não parei e continuei andando.

Porque, apesar de tudo, uma verdade queimava dentro de mim: Eu não estava ali por Damian. Não estava ali por reconhecimento, validação, ou qualquer conto de fadas perverso que aquele salão tentasse sugerir.

Eu estava ali por um único motivo, por uma única pessoa.

Minha irmã.

E se para salvá-la eu precisasse ser invisível para aqueles homens então que fosse.

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