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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 9

Damian Cavalari

Quando Elena desapareceu atrás da porta lateral, guiada pela mão firme de Lara, algo dentro de mim se partiu ou se calou. Não sei qual dos dois.

Só sei que cessou.

O mundo ao meu redor continuou existindo: música, risadas, o tilintar de taças, conversas de pessoas sem importâncias que fingiam elegância para mascarar vazio. Tudo segue igual, mas para mim o salão ficou pequeno.

Pequeno demais para acomodar a raiva fria que subia como uma maré sombria dentro de mim.

Respirei fundo uma vez, duas mas não adiantou.

A lembrança do olhar daqueles homens percorreu minha mente como uma faca cega. A forma como encararam Elena. Como mediram suas curvas. Como sussurraram comentários, achando que estavam em um mercado de luxo e não diante de um ser humano.

Apenas eu tinha o direito de olhar para ela dessa maneira. Somente eu.

Meu maxilar travou. E então, devagar, virei a cabeça em direção ao homem que iniciou aquela cadeia de insolências.

Ele segurava a taça com a mão tensa. Tentava parecer à vontade, mas o suor na têmpora o entregava. O sorriso havia morrido e a pose estava sendo mantida por puro desespero.

Eu o encarei com intensidade, levantei uma sobrancelha e foi o suficiente para ele recuar meio centímetro.

Patético.

— Interessante… — murmurei, como se estivesse comentando sobre o clima. — Você realmente achou que tinha permissão para olhar para ela?

Ele respirou fundo, engolindo a bebida de uma vez. O pomo de Adão subiu e desceu com dificuldade.

— Fiz apenas uma observação — disse, com a voz mais áspera do que deveria. — Metade dos homens que estão no salão, estavam lá.

Levantei a mão.

E, no mesmo instante, as conversas ao nosso redor simplesmente se apagaram, como se o salão tivesse sido engolido por um vácuo repentino.

Ele calou na hora e isso me arrancou um sorriso discreto.

Gosto dessa sensação.

Sempre soube que autoridade não está no tom alto, e sim na certeza. E essa, eu sempre tive de sobra.

— Observações são feitas sobre obras de arte ou casas à venda, não sobre a minha acompanhante.

O músculo junto ao olho dele tremeu.

A palavra minha ecoou entre nós, e eu vi claramente o instante em que ele entendeu, tarde demais que havia cruzado uma linha da qual ninguém retorna ileso.

— Ela estava em um palco, Cavallari… — insistiu, tentando recuperar dignidade. — Você sabe muito bem o que essa garota é.

Não permiti que ele falasse nada, antes que eu lhe tirasse tudo.

Dei um passo à frente.

Um único, preciso e lento. Mas foi como se todo o salão estivesse inclinado comigo. Homens endireitaram gravatas, outros desviaram os olhos, alguns recuaram um passo. Até o garçom mais próximo congelou como uma estátua.

Meus olhos encontraram os dele.

Cinza contra cinza.

Frio contra medo.

— Esta ofendendo uma mulher apenas porque ficou exposto diante de todos, que tu é apenas um idiota vivendo às custas da herança do seu pai e continua acreditando que sabe administrar os negócios da família?

A cor desapareceu do rosto dele e ele calou na hora.

— Eu realmente admiro sua… insistência. — continuei, com uma ironia tão afiada que parecia cortar o ar. — Mas você deveria escolher melhor suas batalhas.

Inclinei a cabeça e o sorriso aumentou.

— Deve ser difícil… tentar parecer um predador quando o mundo observa sua mediocridade. É melhor ficar calado Ferdinand, porque senão vai acabar descobrindo o que acontece com homens que ultrapassam limites na minha frente.

Ele permaneceu em silêncio.

— Agora — continuei — sugiro que aproveite a festa.

Ele tentou respirar fundo e eu me inclinei, quase sorrindo pela primeira vez, e finalizei:

— Mais uma palavra indevida sobre ela … — sussurrei — e eu acabo com o seu contrato na Sicília antes mesmo de você terminar esta taça.

A cor sumiu inteira do rosto dele, a mão tremeu. O gelo dentro da taça tilintou, denunciando seu desespero.

O outro empresário virou o rosto, pálido.

Bianchi, ao fundo, me observava com horror e fascínio misturados, como quem vê um rei coroado e um carrasco trabalhando ao mesmo tempo.

Eu me afastei calmamente. Mas por dentro, em algum lugar que eu não costumava visitar, uma única pergunta ecoava:

Por que a ideia de alguém falar dela daquele jeito me deixou assim?

Eu ainda não tinha resposta. Mas sabia de uma coisa:

Elena Rossi não faria ideia do que eu estava prestes a destruir por causa dela e era melhor assim.

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