Damon Thorn
O beijo começou como um pedido mudo e terminou como uma rendição.
Os lábios da humana nos meus, a respiração curta, o seu coração acelerado. Eu podia ouvir. Sentir. Quase saborear o medo misturado ao desejo.
Ela ainda não confiava em mim totalmente — mas naquele instante, escolheu me tocar. E isso valia mais do que qualquer juramento.
Minhas mãos pousaram em sua cintura com cuidado. Ainda assim, meu lobo rugia, roçando sob minha pele, querendo mais. Querendo marcá-la. Reivindicá-la.
Mas eu respirei fundo.
Controle.
Ela não era totalmente minha. Ainda não.
Ela era humana. E se eu deixasse meu lobo assumir, ele iria devorá-la na cama.
“Você não devia confiar em mim,” murmurei contra sua boca, mesmo enquanto puxava sua nuca com os dedos. “Eu não sou feito para isso.”
“Então por que me beija como se fosse?” ela rebateu, a voz rouca, firme, com os olhos presos nos meus.
Meu peito apertou.
Eu queria te domar como minha fêmea Caroline Hart.
Mas eu não disse isso.
Não disse nada. Apenas a beijei de novo.
E dessa vez… sem contenção.
Ela correspondeu com a mesma entrega. As mãos explorando meu peito, subindo pelo pescoço, puxando meu cabelo com os dedos trêmulos. Ela parecia temer algo, ela queria se entregar, mas não conseguia.
Empurrei-a devagar até que suas costas tocassem a cama. O quarto parecia em silêncio absoluto, mas meus sentidos estavam aguçados demais. Cada batida do coração dela. Cada suspiro. Cada arrepio que subia por sua pele quando minhas mãos se moviam sob sua camiseta.
“Você quer mesmo isso?” perguntei contra sua garganta, minha voz mais grave do que pretendia.
Ela apenas assentiu, puxando minha camisa com força. “Você não faz ideia do quanto.”
Não precisei de mais.
Agora ela sabia quem eu era. Eu não precisava mais me esconder.
Minhas mãos deslizaram pela pele dela com reverência. Não havia mais motivo para conter o lobo dentro de mim — mas ainda havia motivo para conter a força.
Eu não queria marcar. Não agora.
Não antes dela me escolher por completo.
Caroline era calor. Pele quente e perfume doce. Era o contraste perfeito com tudo o que eu era. E, ainda assim, encaixava.
Ela arqueou o corpo sob o meu, e eu a abracei com firmeza, guiando os movimentos devagar. O suficiente para sentir. Para deixá-la sentir. O bastante para não assustar.
Seu nome escapou dos meus lábios entre os suspiros.
Ela o segurava como se estivesse com medo de cair. E talvez estivesse.
Mas aquela noite... eu não deixaria.
Nenhum de nós caiu.
Quando tudo terminou, ela dormiu. Estava cansada. Depois de tudo que ela presenciou naquele dia.
O quarto mergulhou em um silêncio espesso.
Ela repousou o rosto contra meu peito. Seu corpo ainda tremia levemente — não de medo, mas de alguma emoção que nem ela sabia nomear.
Minha mão descansou sobre as costas dela. Os batimentos cardíacos desacelerando pouco a pouco. O lobo dentro de mim... em paz.
Pela primeira vez em muito tempo.
Mas eu não dormi. Dormir não era uma prioridade.


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