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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 77

Damon Thorn

Eu precisava resolver as coisas na alcateia. O clima de tensão era quase palpável desde que Hart fora sequestrada. A matilha precisava de direção — de um alfa firme. Não podia vacilar, mesmo com o corpo pedindo descanso. Cruzei o território já escuro, recebi reverências frias, alguns olhares de admiração, outros de ressentimento puro.

A reunião se formou ao redor da fogueira. Falamos de patrulha, ameaças externas e possíveis traições. Mirella, uma loba sempre solícita, organizava a mesa comunitária — café quente, chá, bolachas. Peguei uma caneca de café, sentindo o amargor estranho. Não reparei quem preparou, mas o frio me fez ignorar qualquer alerta. Mirella passou perto, sorriso demais no rosto.

No início, achei que era só cansaço, mas minha cabeça começou a pesar, os sons da clareira viraram ruído abafado. Pisquei devagar, tentando focar nas perguntas dos anciãos, mas as palavras flutuavam, soltas. O cheiro de fumaça parecia tomar conta do ar.

Levantei da roda, buscando ar puro, e mal terminei de dizer “Volto já”, a clareira girou.

Uma das lobas passou ao meu lado, me tocando no braço, e tudo ficou escuro.

**

Acordei deitado em um quarto estranho. O cheiro forte de perfume feminino me embrulhou o estômago. Estava de camisa aberta, calça torta, suando frio. Tudo girava. Tentei sentar, o corpo não obedecia, a cabeça doía.

Liana estava ali, sentada na ponta da cama. Ela sorriu, venenosa.

“Dormiu bem, Damon?”

Minha voz saiu rouca, meio falha. “O que você fez? O que armou?”

Ela se aproximou, cheia de certeza. “Você é previsível, sempre foi. Achou mesmo que aquela humana descarada ia te amar mais do que eu?”

Tentei levantar, mas minhas pernas falharam. Cambaleei, quase caí. A raiva cresceu, mas era impotente – o corpo ainda entorpecido, a mente lenta.

“Você me drogou… Isso é tudo que você tem? Não tem coragem de me enfrentar sem truques?”

Ela soltou uma risada fina. “Eu não preciso te tocar, Damon. Só preciso que ela pense que toquei. O resto a vergonha faz por mim. Você nunca vai amar alguém como me amou.”

“Você tá delirando… Não tem nada entre nós há muito tempo. Você não entende?”

Ela se encostou, puxando meu rosto para perto. Eu me desvencilhei com esforço, sentindo o chão balançar.

“Você só pensa nessa humana. Ela nunca vai ser uma de nós. Eu era sua fêmea, sua companheira. Era para ser eu ao seu lado, não ela – não esse erro!”

Eu forcei o corpo a obedecer. “Acabou, Liana. Você escolheu me trair. E se encostar na Hart, eu…”

A ameaça morreu na garganta, o mundo girando. Ela me olhou com um sorriso cruel.

“Não precisa ameaçar. Eu já mandei tudo para ela. Fotos, mensagens, vídeos. Ela já recebeu, antes de você acordar. Agora é tarde, Damon.”

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