POV: Massimo
O motor do meu carro rugia pelas ruas desertas de Milão como o reflexo da tempestade que se formava no meu peito. Eu dirigia com uma agressividade controlada, as mãos apertando o volante com tanta força que as juntas dos meus dedos estavam brancas. A cada troca de marcha, eu sentia a fúria borbulhando, uma mistura corrosiva de indignação e desprezo. Tomaso Esposito tinha sido apenas o mensageiro de uma traição que vinha de dentro da minha própria linhagem.
Meu pai, Vittorio Capone, havia ultrapassado todos os limites aceitáveis. Tentar negociar meu casamento como se eu fosse um bezerro em um leilão de gado era mais do que uma quebra de protocolo; era um desafio direto à minha autoridade como Don. Ele ainda agia como se as rédeas do império estivessem em suas mãos velhas e manchadas de sangue, ignorando que o trono agora me pertencia.
Eu não fui para a minha cobertura. Não fui para o galpão descarregar o ódio em algum traidor qualquer. Segui direto para a mansão dos meus pais, o lugar onde a sombra do passado de Vittorio ainda insistia em escurecer o presente.
Estacionei o carro de qualquer jeito, o som dos pneus cantando no cascalho da entrada. Saí do veículo sem esperar que Enzo ou qualquer outro segurança abrisse a porta. Eu exalava morte. Os guardas na entrada da mansão recuaram, abrindo caminho imediatamente; eles conheciam aquele olhar. Eles sabiam que, naquele momento, eu não era apenas o filho que vinha visitar o pai, eu era o ceifador.
Entrei na casa sem bater, cruzando o hall de entrada com passos pesados que ecoavam pelo mármore frio. Fui direto para o escritório de Vittorio. Eu sabia que ele estaria lá, cercado por seus livros antigos e o cheiro onipresente de tabaco, arquitetando planos que não lhe cabiam mais.
Escancarei as portas duplas sem cerimônia. O estrondo fez com que meu pai, que estava servindo-se de uma dose de conhaque, se sobressaltasse levemente, embora tenha recuperado a compostura em segundos.
— Massimo — ele disse, a voz calma, mas com aquele tom de superioridade que sempre me irritou. — A que devo a honra desta visita intempestiva?
— Acabei de sair de uma reunião com Tomaso Esposito — disparei, parando no centro da sala, a poucos metros dele. Minha voz estava baixa, o que para quem me conhecia, era o sinal mais perigoso de todos. — Ele me contou sobre uma aliança. Sobre um casamento. Com a filha dele, Bianca.
Vittorio deixou a garrafa sobre a mesa e deu um gole lento em seu copo, sem desviar os olhos dos meus.
— Tomaso sempre foi um pouco apressado com as palavras. Estávamos apenas discutindo os termos para fortalecer a Tríade Negra. Uma união entre os Capone e os Esposito selaria o controle do Sul de forma definitiva. É o que é melhor para a família e para os nossos negócios naquela região.
— O que é melhor para a família? — soltei uma risada amarga, que soou mais como um rosnado. — O que você quer dizer é que isso é o que é melhor para o seu ego e para os seus planos de continuar governando através de mim. Você deu a sua palavra, Vittorio. Você prometeu algo que não tem o poder de entregar.
— Eu sou seu pai, Massimo! — ele alterou o tom de voz pela primeira vez, batendo o copo na mesa. — Eu construí este império tijolo por tijolo. Tudo o que você tem, você deve a mim. E se eu digo que uma aliança de sangue com o Sul é necessária, você deveria ter a decência de ouvir.
— Você construiu o império, mas eu sou quem o mantém em pé! — gritei, aproximando-me dele, apoiando as mãos na mesa e inclinando-me sobre ele. — Eu sou o Don. Eu tomo as decisões. Eu escolho quem entra na minha cama e quem carrega o meu sobrenome. Você não passa de um conselheiro agora, Vittorio. Um conselheiro que está perdendo a noção da realidade.
Ele me encarou com os olhos injetados.
— Você está jogando tudo fora por causa de uma garota comum! Uma civil que não entende o nosso mundo! — ele gritou de volta, o rosto vermelho de raiva. — Esposito tem exércitos, poder político e o controle das rotas do Sul! O que essa Chiara tem a oferecer, além de uma pele bonita e um rosto que te faz esquecer suas obrigações?

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