Entrar Via

Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 123

POV: Chiara

Os primeiros raios de sol começavam a cortar as frestas das pesadas cortinas de veludo do quarto, desenhando linhas douradas sobre o tapete. Quando recobrei a consciência, antes mesmo de abrir os olhos, senti um calor reconfortante me envolvendo por completo. Me mexi vagarosamente entre os lençóis e percebi que ainda estava firmemente colada ao corpo de Massimo. Um dos seus braços pesados continuava circulando a minha cintura, mantendo-me presa contra o seu peito nu, enquanto as nossas pernas continuavam entrelaçadas sob o edredom macio.

Permaneci imóvel por alguns instantes, deixando a minha mente se situar na realidade daquela manhã. Inevitavelmente, a lembrança da noite anterior invadiu os meus pensamentos com uma força avassaladora. Fechei os olhos com um pouco mais de força, revivendo mentalmente a cena de Massimo entrando por aquela porta. Ele estava coberto de sangue. Suas roupas, suas mãos, a expressão sombria no rosto... parecia uma cena saída diretamente de um filme de terror. Naquele momento, assistindo àquela imagem brutal, uma parte de mim sabia que eu deveria ter sentido medo dele. Eu tinha plena consciência de quem ele era e do que era capaz; eu sabia que ele provavelmente tinha acabado de tirar a vida de um homem, de executar friamente alguém. Qualquer pessoa sã estaria apavorada diante de um monstro daqueles.

Mas, para o meu próprio espanto, o medo não veio. Mesmo imaginando os detalhes sórdidos do que ele poderia ter feito nas sombras daquela madrugada, o meu peito não se encheu de pavor. No fundo, no canto mais honesto e escondido da minha alma, eu percebia uma verdade perturbadora: a minha preocupação em saber se ele estava ferido, se aquele sangue era dele ou se ele tinha corrido algum risco lá fora era infinitamente maior do que o choque pelo horror que ele pudesse ter causado. Eu me importava com a integridade dele, e essa constatação mexia comigo de uma forma que eu ainda não sabia como digerir.

Estiquei um pouco o pescoço, tentando afastar esses pensamentos e não quebrar o silêncio do ambiente, e olhei para o relógio digital na mesa de cabeceira. O visor marcava quase oito da manhã.

Virei o rosto devagar para encarar o homem ao meu lado, sentindo um sobressalto de surpresa. Fiquei genuinamente impressionada. Desde que fui trazida para esta mansão e forçada a conviver na intimidade com Massimo Capone, eu nunca, em tempo algum, tinha visto esse homem dormir até esse horário. Ele era um predador que parecia nunca descansar de verdade; costumava saltar da cama antes mesmo do amanhecer, sempre alerta, sempre pronto para comandar os seus esquadrões ou gerenciar a sua organização. Vê-lo ali, com as feições incrivelmente relaxadas e respirando de forma profunda e calma às oito horas da manhã, era a prova viva do esgotamento físico e mental que aquela noite de sangue, haviam deixado sobre ele.

Fiquei alguns minutos apenas observando o seu rosto. Sem a expressão dura de Don e sem os óculos escuros, Massimo parecia quase humano. Mas a lembrança da pasta de couro preto e das cláusulas abusivas que eu tinha lido na madrugada voltou a assombrar a minha mente, fazendo o meu estômago dar voltas.

De repente, a respiração dele mudou. O peito dele subiu de forma mais acentuada e eu vi o exato momento em que seus olhos se abriram devagar. Ele piscou algumas vezes, tentando se situar na claridade suave do quarto, e demorou alguns segundos para focar em mim. Quando percebeu que eu o observava, o canto dos seus lábios se curvou em um esboço sutil de sorriso, e o braço ao redor da minha cintura me apertou com um pouco mais de força, trazendo-me para mais perto.

— Bom dia, bella — a voz dele saiu extremamente rouca, arrastada pelo sono tardio.

— Bom dia — respondi baixinho, passando a mão de leve pelo ombro dele, sentindo os músculos rígidos sob a minha palma. — Você dormiu bastante hoje. Fiquei surpresa.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Massimo - A Obsessão do Don