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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 122

POV: Massimo

O cheiro de ferro e morte parecia ter grudado na minha pele, impregnando as fibras da minha roupa tática e acompanhando cada passo meu pelo corredor de concreto subterrâneo. Deixei para trás a sala de isolamento, onde Enzo e a equipe de limpeza cuidavam do que havia restado do tronco de Moretti. A caixa de madeira escura contendo o meu troféu de guerra já estava a caminho do escritório principal da mansão antiga, pronta para a reunião de amanhã com os conselheiros. A engrenagem da Tríade Negra operava sem falhas, mas a minha mente, pela primeira vez em dias, não estava focada nas rotas de contrabando ou nas finanças da máfia. Estava focada no andar de cima.

Subi a escadaria oculta que conectava as garagens subterrâneas à ala residencial da mansão principal. O silêncio da casa àquela hora da madrugada era absoluto, quebrado apenas pelo som abafado das minhas próprias botas contra os tapetes caros do corredor. Eu precisava de um banho morno para tirar os vestígios daquela carnificina e, acima de tudo, precisava da presença de Chiara. No meio de tanta destruição, o corpo dela era o único lugar onde eu encontrava uma trégua para a violência que governava a minha vida.

Enquanto caminhava pelo corredor principal em direção às escadas, dei de cara com Francesca, que vinha da ala de serviço com uma expressão rígida e o cenho franzido. Quando ela me viu, seus olhos brilharam com uma urgência que me deixou intrigado.

— Don Massimo — ela cumprimentou, abaixando a cabeça de leve em um sinal de respeito que parecia forçado. — Que bom que o senhor retornou. Há algo que preciso reportar sobre a conduta da senhorita Rossi.

Parei a passos curtos, cruzando os braços e encarando Francesca com um olhar gélido. Eu não estava com humor para dramas domésticos, especialmente após ter decapitado um homem.

— Fale rápido, Francesca. Estou sem tempo.

— Eu a encontrei no seu escritório particular agora há pouco, mexendo nas pastas em cima da sua mesa — Francesca disse, o tom de voz carregado de uma falsa indignação. — Quando chamei a atenção dela, lembrando-a de que aquele lugar era proibido e que o senhor não gostaria de saber da sua espionagem, ela foi extremamente insolente. Ela me respondeu de forma grosseira, erguendo o tom de voz e dizendo que o lugar dela nesta casa é onde ela bem entender porque é a futura senhora Capone. Ela não tem respeito pelas regras desta mansão, Don Massimo. Alguém precisa colocá-la no lugar dela antes que ela crie mais problemas.

Uma onda de fúria silenciosa percorreu a minha espinha, mas não contra Chiara. Ver a governanta tentar minar a autoridade da mulher que eu escolhi para carregar o meu sobrenome fez o meu sangue ferver. Chiara tinha a língua afiada, era verdade, e não baixava a cabeça para ninguém, mas era exatamente esse orgulho e essa força que me faziam ser obcecado por ela. E Chiara tinha toda a razão: ela seria a senhora Capone, e nenhuma funcionária sob o meu teto tinha o direito de questionar os seus passos.

— Francesca — falei, a minha voz saindo tão baixa e cortante que fez a mulher dar um passo para trás, a arrogância sumindo do seu rosto maduro. — Deixe-me deixar uma coisa bem clara para você, para que nunca mais tenhamos essa conversa. Chiara Rossi faz o que quiser nesta casa. Se ela quiser queimar este escritório, eu darei o fósforo a ela. Se ela quiser ler cada documento confidencial da Tríade, ela lerá sob a minha supervisão. O seu trabalho é gerenciar os empregados e manter a limpeza desta propriedade, não policiar a minha noiva. Se eu escutar você se referir a ela como uma intrusa ou tentar ameaçá-la novamente com o meu nome, eu pessoalmente jogarei as suas malas no meio da rua antes do amanhecer. Ficou claro?

Francesca engoliu em seco, o rosto empalidecendo rapidamente sob a luz do corredor. Ela juntou as mãos na frente do corpo, os nós dos dedos brancos de tensão.

— Sim, Don Massimo. Perfeitamente claro. Peço desculpas.

— Saia da minha frente — comandei, passando por ela sem olhar para trás.

Subi os degraus em direção ao quarto principal, sentindo a adrenalina da discussão se dissipar, dando lugar a uma exaustão profunda. Quando empurrei a porta do quarto, fiz o menor barulho possível. A iluminação vinha apenas da luz fraca da lua que entrava pela janela, desenhando a silhueta de Chiara deitada na cama. Ela parecia dormir profundamente.

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