— Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre o contrato antes de assinarmos? — perguntei, abaixando o tom de voz, suavizando o toque na sua cintura.
Chiara respirou fundo, tentando recuperar a postura. Ela firmou as mãos no meu peito, mas não me empurrou.
— Tem mais uma coisa, Massimo. E dessa eu não vou abrir mão de jeito nenhum — ela falou, os olhos brilhando com uma determinação feroz. — No contrato diz claramente que o meu corpo é de exclusividade sua, que o Don toma o que deseja. Então, eu exijo que você também seja exclusivo meu. Você não está autorizado a tocar em nenhuma outra mulher neste mundo.
Soltei uma risada curta, achando graça da audácia dela de tentar ditar regras para as liberdades tradicionais que os chefes da máfia costumavam ter na Itália.
— Eu não vou colocar uma cláusula dessas no contrato, bella — respondi, balançando a cabeça com ironia.
— Pois deveria! — ela rebateu na mesma hora, a voz subindo de tom, o ciúme disfarçado de orgulho saltando aos olhos. — Eu não vou aceitar deitar na mesma cama com você e me entregar sabendo que você anda transando com putas na rua, nos seus clubes ou mantendo amantes em hotéis de Milão. Se você quer o meu corpo inteiro só para você, eu quero o seu da mesma forma.
Olhei para o rosto dela, observando os detalhes das suas feições, o bico emburrado nos lábios e a seriedade com que ela defendia o seu território. A verdade é que, desde o primeiro momento em que coloquei os olhos em Chiara Rossi, nenhuma outra mulher tinha conseguido chamar a minha atenção. O sabor da sua pele, o som dos seus gemidos e até a sua insolência tinham me prendido de uma forma que nenhuma amante jamais conseguiria.
Levei as minhas duas mãos ao rosto dela, segurando as suas bochechas com firmeza, mas com uma ternura que eu raramente demonstrava a qualquer outro ser vivo. Forcei-a a olhar bem nos meus olhos.
— Quanto a isso, você pode ficar completamente tranquila, Chiara. Não precisa se preocupar com putas ou com qualquer outra mulher na rua — falei, a voz saindo sincera, cheia de uma certeza absoluta. — Eu jamais trairia você.
— É bom mesmo — ela sibilou, os olhos estreitados em uma ameaça quase letal. — Porque se eu descobrir que você tocou em outra mulher, eu entro no seu quarto enquanto você dorme e arranco o seu pau.
Soltei uma risada alta, achando graça da ferocidade da minha pequena felina. Inclinei-me um pouco mais, colando as nossas testas.

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