POV: Chiara
Quando a porta do cofre embutido na parede se fechou com aquele bipe eletrônico seco, selando o nosso contrato lá dentro, um silêncio quase solene se instalou no escritório. Olhei para Massimo, que ajeitava as mangas da camisa com a sua habitual postura impecável, e respirei fundo, sentindo o peso das últimas horas finalmente assentar no meu peito. Eu tinha consciência de que não havia mudado uma única linha daquele papel absurdo. Os termos continuavam lá, frios e implacáveis, ditando as regras do Don. Mas, de alguma forma que eu ainda tentava processar, nós havíamos conversado. Eu consegui peitá-lo, expor minhas garras e negociar o que era vital para a minha dignidade.
O que mais martelava na minha mente, trazendo um alívio genuíno para o meu coração, era a promessa que ele havia acabado de me fazer. Quando Massimo segurou o meu rosto com aquelas mãos grandes e firmes e olhou no fundo dos meus olhos para dizer que jamais me trairia, eu senti uma confiança profunda, daquelas que reverberam na alma. Eu conhecia o homem com quem estava lidando; Massimo podia ser implacável, violentamente possessivo, mas ele não era um mentiroso. Ele não gastaria saliva com promessas vazias. E para mim, aquilo era tudo. Eu aceitaria enfrentar a escuridão do mundo dele, aceitaria as regras rígidas da Tríade, mas nunca, em hipótese alguma, perdoaria uma traição. Se ele quebrasse essa confiança, o nosso mundo desmoronaria.
Eu ainda tinha alguns outros pedidos guardados na mente — pequenas liberdades e concessões que pretendia arrancar dele —, mas decidi que o melhor a fazer era ser estratégica. Ia esperar o momento certo, a oportunidade perfeita em que ele estivesse mais vulnerável ou de bom humor. Jogo de cintura era tudo o que eu precisava a partir de agora.
Quando ele anunciou, com toda a sua autoridade, que o nosso casamento seria realizado daqui a exatamente uma semana, o meu coração deu um salto. Achei rápido demais. Sete dias para organizar o casamento do chefe da maior organização de Milão parecia uma loucura completa. Mas, pensando bem enquanto o observava guardar a caneta dourada, uma parte de mim achou que era o melhor a se fazer. Era bom oficializar tudo de uma vez. Colocar aquela aliança no dedo significava estabilizar a minha situação, garantir de forma definitiva a segurança do tratamento médico do meu pai e assumir o meu lugar por direito, sem que ninguém — especialmente cobras como a Francesca — pudesse questionar o que eu fazia ali.
— Já que o prazo é curto, precisamos definir os detalhes agora, Massimo — falei, dando um passo à frente e quebrando o silêncio. — E a primeira coisa são os padrinhos. Eu gostaria muito que a Giulia e a Sofia fossem as minhas madrinhas de casamento.
Massimo me olhou, assimilando o pedido, e assentiu com um leve aceno de cabeça.
— Por mim, está perfeito, bella. Sofia ficará radiante, mesmo com o luto, e a sua amiga Giulia é bem-vinda. Quanto aos meus padrinhos, os meus irmãos, Matteo e Adrian, ocuparão esses lugares ao meu lado. Já estava decidido desde o princípio.
Sorri de leve, gostando da composição. Adrian e Matteo mereciam estar ali, afinal, a Tríade operava como um bloco único.
— Ótimo — continuei, cruzando os braços e analisando o espaço do escritório. — E onde você pretende fazer isso?
— Faremos o casamento no religioso, em uma capela privada da família, e a festa será realizada em um espaço de eventos fechado de alta segurança em Milão — ele respondeu, adotando o tom prático de quem organiza a logística de um evento de Estado. — Meus homens já estão checando o perímetro do local.

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