POV: MASSIMO
O som do clique suave da tranca da porta de carvalho quando Chiara saiu pareceu ecoar pelo escritório, deixando para trás um rastro do seu perfume doce e uma atmosfera ainda carregada de eletricidade. Fiquei parado exatamente no mesmo lugar por alguns longos instantes, olhando para o vazio da sala, com os braços cruzados sobre o peito. Minha mente, que deveria estar focada nas ramificações da Tríade Negra após a execução de Moretti, estava completamente tomada pela mulher que tinha acabado de cruzar aquela porta.
Aproximei-me da mesa de mogno e passei os dedos pela madeira onde, minutos antes, Chiara estava pressionada contra o meu corpo. Pensei detalhadamente em tudo o que havíamos conversado aqui dentro. As cláusulas de obediência, a posse exclusiva, a impossibilidade do divórcio... Ela tinha contestado cada ponto com uma ferocidade que teria custado a vida de qualquer outra pessoa nesta província. Mas Chiara era diferente. Ela tinha aquela língua afiada, um orgulho inabalável e um gosto genuíno por me questionar, por testar os meus limites e ver até onde a corda esticava. E a verdade, por mais perigosa que fosse para um Don, é que esse jeito dela de me desafiar não me enfurecia; apenas me deixava ainda mais obcecado. Eu queria domá-la, mas não queria apagar o seu fogo. Ter uma mulher que assinava um contrato de vinculação eterna de alma olhando no fundo dos meus olhos e prometendo me capar se eu a traísse era a coisa mais insana e fascinante que já tinha me acontecido.
Soltei um suspiro curto, sentindo o peso acumulado das últimas vinte e quatro horas cobrar o seu preço nos meus ombros. Caminhei até o bar de canto, peguei a garrafa de cristal e servi uma dose generosa de whisky puro, sentindo o líquido dourado queimar a minha garganta e aquecer o meu peito. Em seguida, puxei um cigarro do maço de prata, acendi-o com o isqueiro e dei uma tragada longa, deixando a fumaça cinzenta flutuar em direção ao teto alto do escritório.
Eu saboreava o silêncio quando duas batidas firmes ecoaram na porta.
— Entre — autorizei, mantendo a voz baixa e firme, sem me mover de onde estava.
A porta se abriu e Matteo passou por ela. Ele parecia ter descansado algumas poucas horas, mas a sua postura continuava alerta, os olhos atentos varrendo o ambiente antes de focar em mim. Sem precisar que ele pedisse, caminhei de volta ao bar, peguei outro copo e servi uma dose idêntica de whisky para ele, estendendo o cristal na sua direção.
Matteo pegou o copo com um aceno curto de cabeça e deu um gole generoso, soltando o ar pela boca antes de se encostar na borda da mesa de mogno.
— Bom, Massimo... A poeira finalmente baixou em Pavia e a limpeza em Milão está quase concluída — Matteo começou, a voz saindo naquele tom prático e desapegado que ele sempre usava. — Agora que nós já resolvemos de forma definitiva a situação de Moretti e que o seu território está pacificado, eu acredito que a minha cota de sangue por aqui está paga. Estou planejando organizar as minhas coisas e retornar para a Rússia nos próximos dias. Os meus negócios em São Petersburgo exigem a minha presença física e eu não posso passar mais tempo longe da minha base.
Olhei para ele fixamente, tragando o cigarro mais uma vez antes de apagá-lo no cinzeiro de cristal em cima da mesa.
— Você vai ter que adiar essa viagem, Matteo — falei, a minha voz saindo firme, inquestionável. — Não vai a lugar nenhum por enquanto.
Matteo arqueou uma sobrancelha, erguendo o copo de whisky no meio do caminho.
— E por qual motivo eu deveria estender a minha estadia na Itália?
— Porque eu marquei o meu casamento com a Chiara para daqui a exatamente uma semana — anunciei, observando a expressão dele mudar sutilmente para uma surpresa contida. — Faremos a cerimônia religiosa e a recepção aqui mesmo, no jardim da mansão. E eu quero que você e o Adrian sejam os meus padrinhos de casamento. Você é o meu irmão, Matteo. A Tríade precisa estar completa no altar.
Matteo deu um meio sorriso de canto, aquele jeito irônico dele que eu conhecia tão bem, e balançou o copo, fazendo as pedras de gelo tilintarem.

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