POV: Chiara
Eu sentia o frio da parede do hospital atravessar o tecido fino da minha blusa, mas o calor que emanava do corpo de Massimo, tão próximo ao meu, era o que realmente me sufocava. Eu o encarei, tentando sustentar o olhar, embora minhas pernas parecessem feitas de gelatina.
— Massimo, você sabe que o que você acabou de me dizer faz você parecer um monstro, não sabe? — Minha voz saiu trêmula, carregada de uma incredulidade dolorosa. — Você está aqui me oferecendo salvar meu pai e, em troca, eu tenho que lhe servir na cama... ser sua puta.
O rosto dele se transformou. A diversão que brilhava nos seus olhos verdes segundos atrás desapareceu, dando lugar a uma seriedade fria e cortante. Ele deu um passo ainda mais próximo, me cercando completamente.
— Não disse isso, Chiara — ele falou, cada palavra saindo firme, como um decreto. — Eu disse que quero você. Quero você como minha esposa. Quero você na minha casa, na minha cama e carregando o meu nome. Foram essas as palavras que eu disse. Em momento nenhum eu disse que queria você como uma puta.
Eu desviei o olhar, sentindo meu coração martelar contra as costelas. A distinção que ele fazia parecia irrelevante para mim naquele momento. No fim das contas, eu ainda era o preço de uma transação.
— Eu deveria ter lhe dito não quando você me convidou para jantar — lamentei, fechando os olhos por um segundo.
— É, mas não disse — ele rebateu, e eu senti o tom de satisfação na sua voz. — E por que agora está relutando tanto?
— Porque era a porra de um jantar, Massimo! Não um casamento que eu não quero!
Ele soltou um riso curto, desprovido de qualquer humor, e se inclinou até que seus lábios quase tocassem o meu ouvido.
— Chiara, entenda uma coisa: mesmo que você tivesse dito não para aquele jantar, você seria minha de qualquer forma. Eu não aceito "não" como resposta.
— Eu não sou sua! — Gritei baixinho, tentando empurrá-lo, mas era como tentar mover uma montanha de mármore.
Massimo segurou meus pulsos com uma mão só, prendendo-os contra a parede acima da minha cabeça, enquanto a outra mão subiu para o meu rosto. Ele levantou meu queixo com o polegar, forçando-me a encará-lo.
— Você é minha, Chiara. Quanto mais rápido entender e aceitar isso, melhor será para nós dois.
Ele se inclinou e beijou minha testa. Foi um gesto suave, mas carregado de uma promessa de domínio que me fez estremecer.



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