POV: Chiara
Os próximos dois dias foram um verdadeiro turbilhão de agitação e adrenalina dentro da mansão. Assim que a Giulia desceu do carro blindado da escolta, parecia que um sopro de vida e realidade tinha finalmente invadido aquela fortaleza de concreto e segredos. Nós não perdemos tempo. Juntamos as nossas forças com a Sofia e a dona Aurora, e nos trancamos no salão de reuniões com uma equipe de elite de organização de eventos que o Massimo havia contratado sob o mais estrito acordo de confidencialidade.
O jardim da mansão virou o nosso quartel-general de criação. Decidimos absolutamente tudo o que tínhamos direito, sem economizar em nenhum detalhe. Passamos horas debatendo sobre o tom exato das flores — optamos por uma combinação clássica de rosas brancas e orquídeas que contrastariam perfeitamente com o verde intenso do gramado —, escolhemos a dedo o cardápio do jantar que homenagearia as tradições sicilianas, e passamos uma tarde inteira degustando recheios para o bolo de cinco andares. Até as bebidas, desde os vinhos mais finos até as marcas de whisky preferidas da Tríade, foram selecionadas milimetricamente. Ter a Giulia ali, com o seu jeito prático e a sua energia caótica, transformou o que deveria ser uma obrigação contratual em um momento genuinamente meu. Eu estava organizando o meu casamento, e, pela primeira vez, eu me sentia no controle.
No meio de toda essa correria, o renomado alfaiate Bianchi veio novamente à mansão para fazer os ajustes finais do meu vestido de noiva. Quando me posicionei diante do imenso espelho do closet, cercada por rolos de renda francesa e seda pura, o ar faltou nos meus pulmões. O vestido moldava o meu corpo de uma forma espetacular, mas ver o reflexo daquela noiva me fez perceber que não havia mais volta. Eu estava prestes a me tornar a senhora Capone. Bianchi andava ao meu redor de joelhos, ajustando a bainha com alfinetes dourados, enquanto Giulia e Sofia batiam palmas de empolgação no fundo do quarto, e dona Aurora assistia a tudo com um olhar terno e aprovador de quem sabia exatamente o peso daquela transição.
Depois de setenta e duas horas de puro estresse e decisões ininterruptas, a noite do segundo dia nos deu uma trégua. O céu de Milão estava limpo, estrelado e com uma brisa suave. Giulia, Sofia e eu decidimos que merecíamos um descanso e fomos para a área da piscina iluminada. Nós havíamos pedido para a Francesca preparar alguns petiscos finos e trazer um balde com bebidas geladas. A governanta nos serviu com aquela sua postura rígida e impecável, embora eu fizesse questão de sustentar o olhar dela com um sorriso vitorioso no rosto. Eu estava no meu território agora.
Estávamos com as pernas imersas na água morna da piscina, rindo alto das histórias antigas da faculdade que a Giulia insistia em contar, quando o som de passos firmes contra o piso de pedra chamou a nossa atenção. Olhei para trás e vi os rapazes se aproximando. Massimo vinha na frente, com aquela sua imponência natural, acompanhado por Matteo e Adrian, que manobrava a cadeira de rodas com facilidade pelo deque de madeira. Eles pareciam cansados das reuniões exaustivas da organização, mas o clima pesado deles pareceu se dissipar um pouco ao nos verem ali.
— Olá, rapazes! — chamei, ajeitando o meu cabelo e exibindo um sorriso aberto, já sentindo o efeito relaxante das taças de vinho que tinha tomado. — Venham, sentem aqui com a gente e bebam um pouco. Vocês parecem que precisam de uma folga desse escritório.
Eles se entreolharam por um instante, mas a atmosfera leve ali fora acabou vencendo a habitual postura defensiva deles. Massimo foi o primeiro a se aproximar, sentando-se na espreguiçadeira mais próxima de mim. Matteo puxou uma cadeira de vime e Adrian parou ao lado de Sofia.
Minha cunhada, exibindo um sorriso animado, pegou a garrafa de whisky que estava no balde de gelo e a estendeu para o Matteo. Ele a segurou com firmeza e, com uma agilidade bem ensaiada, serviu dois copos generosos do líquido dourado: um para ele e outro para o Massimo, que aceitou o cristal com um aceno curto de cabeça. Adrian apenas esticou o braço e pegou um copo de água pura. Ele deu um sorriso de canto, um pouco frustrado, mas consciente das suas limitações.
— Nada de álcool para o cérebro da família por enquanto — Adrian comentou, erguendo o copo de água em um brinde silencioso. — Estou entupido de remédios devido à reabilitação das pernas. Se eu tomar um gole disso, o Dr. Suzanno tem um infarto.

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