POV: Massimo
Os graves da música eletrônica faziam o chão de madeira do camarote vibrar sob os meus pés. O ambiente estava na penumbra, cortado apenas pelos feixes de luz neon azul e vermelha que vinham da pista de dança lá embaixo, refletindo-se nos copos de cristal sobre a mesa de centro. Eu estava recostado no sofá de couro preto da área vip, com um copo de whisky puro em uma das mãos e um cigarro aceso entre os dedos da outra. Ao meu lado, Adrian mantinha os olhos fixos na movimentação, enquanto Matteo parecia visivelmente entretido com a visão à nossa frente.
Eu tinha deixado claro que aquela área seria estritamente exclusiva para nós. Enzo e mais quatro dos meus melhores seguranças estavam posicionados estrategicamente nas saídas do camarote, de costas para nós, garantindo que nenhum curioso ou engraçadinho sequer pensasse em olhar na direção das mulheres da família Capone. E, principalmente, eu tinha proibido terminantemente que Chiara, Sofia e Giulia descessem para a pista pública lá embaixo. Com as roupas que estavam usando, aquilo nem era negociável. Se quisessem dançar, dançariam ali mesmo, sob a minha vigilância.
E elas estavam dançando. Bastante.
O contraste entre as três era absurdo. Sofia parecia uma chama dourada em movimento, rindo alto enquanto segurava um drink colorido e girava pelo espaço. Giulia, vestida com aquele modelo preto colado, tentava acompanhar o ritmo, embora seus olhos desviassem para o nosso sofá de tempos em tempos. E Chiara... Chiara se movia com uma naturalidade que prendia o meu olhar e fazia o meu sangue esquentar a cada batida da música. O tecido marrom do vestido dela acompanhava cada curva do seu quadril de um jeito que estava testando seriamente o restante do meu autocontrole.
Em um determinado momento, quando a batida da música ficou mais lenta e envolvente, Chiara se afastou das outras duas. Ela caminhou calmamente na minha direção, sustentando o olhar com aquela petulância que eu conhecia bem. Sem pedir licença, ela veio direto e sentou-se no meu colo, espalhando as pernas sobre as minhas e ajeitando o peso do corpo com uma intimidade que me fez travar o maxilar.
Levei o cigarro aos lábios, dei um trago longo e profundo, sentindo o calor da fumaça preencher os meus pulmões. Antes que eu pudesse soltar, Chiara se inclinou para a frente. Suas mãos subiram pelo meu peito, os dedos espalhando-se pelo meu terno, e ela colou os lábios nos meus em um beijo quente, urgente e cheio de segundas intenções. O gosto do drink doce dela se misturou ao amargor do meu whisky.
Quando ela se afastou milimetricamente, seus olhos brilhando sob as luzes da boate, apoiei a mão livre na sua cintura, mantendo-a colada a mim. Virei o rosto levemente de lado e soltei a fumaça do cigarro, deixando que ela se dissipasse no ar escuro antes de voltar a encará-la.
— Você está muito soltinha hoje, bella — murmurei, a voz saindo rouca.
Chiara deu um sorriso de canto, aquele que mostrava que ela estava prestes a testar os meus limites. Ela inclinou a cabeça, aproximando-se do meu ouvido.
— Só estou aproveitando a nossa noite, Massimo... — ela disse, a voz mansa. Então, ela se afastou um pouco para olhar no meu rosto e disparou, casualmente: — Mas me diz uma coisa... E a garota do outro dia? Ela está no clube essa noite?
Continuei segurando o meu copo de whisky, mantendo a expressão completamente neutra. Eu sabia perfeitamente de quem ela estava falando, mas adorava vê-la morder a isca. Provocar a Chiara era um dos meus passatempos favoritos.
— De quem você está falando? — perguntei, fingindo desinteresse enquanto levava o copo à boca.
Chiara semifechou os olhos, a expressão mudando para uma irritação contida que só a deixava ainda mais atraente. Ela me deu um leve tapa no ombro.
— Não se faça de sonso, Massimo. Você sabe exatamente de quem eu estou falando. Não finge que esqueceu.
— Eu lido com dezenas de funcionários e de pessoas neste clube todos os dias, Chiara — retruquei, o canto dos meus lábios se curvando em um esboço sutil de sorriso. — Se você quer saber de alguém, vai ter que me dizer o nome. Eu quero que você fale.
Ela bufou, percebendo o meu jogo de provocações, mas não recuou.
— Elettra — ela pronunciou o nome com firmeza, os olhos cravados nos meus para captar qualquer reação.
— Ah, ela... — dei mais um trago no cigarro, olhando para a pista de dança por um breve segundo antes de voltar para ela. — Ela não trabalha mais aqui neste clube.
Chiara arqueou uma sobrancelha, visivelmente surpresa.
— O que foi? Você demitiu ela?
— Não, eu não a demiti — respondi, o tom de voz calmo e prático. — Mas eu achei melhor transferi-la para outra unidade da organização.
— E qual unidade seria essa? — ela insistiu, estreitando o olhar, querendo saber os detalhes.
Dei um leve sorriso, achando graça do ciúme disfarçado de autoridade que ela tentava impor.
— Você não precisa se preocupar com isso, Chiara. Eu mandei a Elettra para a Rússia. Ela vai gerenciar os negócios por lá agora. Bem longe daqui.

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