POV: Chiara
O silêncio de dentro do carro blindado era o completo oposto do barulho ensurdecedor da boate que havíamos acabado de deixar para trás. A viagem de volta para a mansão foi rápida, mas a tensão que preenchia o espaço entre mim e o Massimo era quase palpável. Ele estava sentado ao meu lado, com o maxilar travado e os olhos fixos na janela escura, enquanto suas mãos grandes tamborilavam ritmadamente sobre o joelho. Eu conhecia aquele silêncio. Não era um silêncio de indiferença, mas sim o prenúncio de uma tempestade. Sofia e Giulia tinham vindo no outro carro com Adrian, o que significava que eu estava completamente sozinha com o meu Don.
Olhei para o lado, observando o perfil rígido de Massimo sob as luzes fracas dos postes da estrada que invadiam o veículo. Dei um sorriso de canto, sem me intimidar. Eu sabia exatamente o que estava fazendo quando escolhi aquele vestido de cetim marrom e sabia ainda mais o que causaria ao provocá-lo no camarote.
Quando o carro finalmente cruzou os imensos portões de ferro da propriedade e parou em frente à entrada principal da mansão, um dos seguranças abriu a porta imediatamente. Massimo desceu primeiro, sem dizer uma única palavra, e estendeu a mão para me ajudar a sair. Seus dedos apertaram os meus com uma firmeza possessiva, puxando-me para fora com uma pressa que fez os meus saltos altos estalarem contra o chão de pedra do pátio.
— Massimo, você está correndo — brinquei, tentando acompanhar seus passos largos enquanto ele me guiava para dentro da casa.
— Silêncio, Chiara — ele respondeu, a voz saindo baixa e rouca, ecoando pelo hall de entrada deserto.
Ele não parou. Ignorou completamente o salão principal e me direcionou direto para as escadas de mármore, subindo os degraus em direção ao nosso quarto. A mansão estava silenciosa, os corredores iluminados apenas pelas arandelas de luz suave nas paredes. Assim que passamos pela porta do quarto, Massimo a fechou com um estrondo seco e girou a chave na fechadura, jogando-a em cima do aparador de madeira.
Virei-me de frente para ele, jogando a minha pequena bolsa sobre a cama de casal e cruzando os braços, sustentando o olhar predatório que ele me lançava. Massimo arrancou o paletó do terno com um movimento brusco, jogando-o em uma cadeira qualquer, e começou a afrouxar o nó da gravata escura, os olhos cravados em mim o tempo todo.
— Então... aqui estamos — falei, provocando-o, dando um passo lento na sua direção. O tecido de cetim do vestido balançou, revelando a fenda na minha coxa. — Vai começar o sermão agora, meu Don? Ou vai ficar apenas me olhando com essa cara de quem quer me matar?
Massimo soltou uma risada curta, sombria, e reduziu a distância entre nós com dois passos rápidos. Antes que eu pudesse reagir, suas mãos grandes seguraram firmemente a minha cintura, puxando-me contra o seu corpo rígido de forma brutal. O calor do corpo dele me atingiu instantaneamente, quebrando o restinho do ar que havia nos meus pulmões.
— Você acha que isso é uma brincadeira, não é, bella? — ele sibilou, inclinando o rosto para que os seus lábios quase tocassem os meus. A respiração dele estava acelerada, impregnada com o cheiro suave de whisky e e tabaco do clube. — Você achou mesmo que sairia ilesa depois de entrar no meu estabelecimento vestida dessa maneira? Passou a noite inteira rebolando na minha frente, sentando no meu colo e me desafiando diante dos meus homens e dos meus irmãos.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Massimo - A Obsessão do Don