POV: Chiara
O som da porta se fechando foi como o bater de uma cela de prisão, mas uma cela revestida de veludo e ouro. Fiquei parada no meio daquele quarto imenso, sentindo o silêncio da mansão me sufocar. Olhei para a cama king-size e senti um nó de pânico na garganta. Ele não estava brincando. Ele realmente esperava que eu dividisse aquele espaço com ele.
— Monstro... — sussurrei para as paredes vazias.
Caminhei até a minha mala pequena, que parecia ridícula e miserável jogada naquele chão de madeira nobre. Eu queria abrir minha mala, pegar minhas roupas simples e me agarrar a elas como uma armadura. Mas a curiosidade me levaram até a porta do closet que ele mencionara.
Quando abri, o ar fugiu dos meus pulmões. Não era um closet, era uma loja de luxo particular. Fileiras de vestidos de seda, conjuntos de linho, sapatos que custavam mais do que o meu salário anual e uma seção inteira de lingeries que me fizeram corar só de olhar. Tudo era do meu tamanho. Tudo era de um bom gosto impecável e cruel.
Ele tinha me despido da minha vida antiga antes mesmo de eu chegar.
Fui para o banheiro, precisando de água fria no rosto. O mármore era preto e as torneiras eram douradas. Tomei um banho rápido, recusando-me a usar os sais de banho caros que perfumavam o ambiente. Usei o meu próprio sabonete para manter algum rastro de quem eu era.
Vesti uma das roupas que ele comprou — um vestido de seda azul-marinho que caía perfeitamente no meu corpo. Eu odiava o fato de que ele ficava bem em mim. Saí do quarto e desci as escadas com o coração martelando.
No andar de baixo, uma mulher de meia-idade, com cabelos presos num coque perfeito e uma expressão severa, me aguardava.
— Senhorita Rossi. Sou Francesca, a governanta da mansão — disse ela, com uma voz impessoal. — O almoço está servido na varanda externa. Por favor, acompanhe-me. O Senhor Capone não tolera atrasos.
— Parece que ninguém tolera nada nesta casa além da vontade dele — respondi, mas ela nem piscou.
Francesca me conduziu até uma varanda coberta que dava para uma piscina infinita e jardins que pareciam não ter fim. Massimo já estava lá. Ele tinha trocado o terno por uma camisa branca com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas. Ele estava lendo alguns documentos, mas levantou os olhos assim que eu entrei.
O olhar dele percorreu meu corpo com uma satisfação possessiva que me fez querer me cobrir.
— O azul combina com a sua pele — ele comentou, fechando a pasta e indicando a cadeira à sua frente. — Sente-se, Chiara.
— Onde está o meu pai? — perguntei, ignorando o elogio e sentando-me na ponta da cadeira. — Você disse que ele seria transferido. Eu quero provas.



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