POV: Chiara
Acordei com o sol invadindo o quarto, sentindo o corpo levemente pesado e um silêncio absoluto. A primeira coisa que fiz foi tatear o outro lado da cama, que estava frio e impecável. Pelo visto, Massimo não apareceu durante a noite. Provavelmente passou a madrugada trancado naquele escritório com seus homens, resolvendo o que quer que tenha interrompido nosso momento na sala de jantar.
Levantei, tomei um banho demorado e me arrumei para o trabalho. Escolhi uma roupa que me fizesse sentir eu mesma: profissional, mas que não escondia quem eu era. Enquanto passava o batom, olhei para o meu pescoço no espelho. A marca que ele deixou ontem ainda estava lá, um sinal rosado de que ele realmente não estava brincando. Usei um pouco de corretivo e um lenço de seda para disfarçar. Eu não ia deixar ninguém na empresa ver o sinal da minha "rendição".
Desci para o café e o silêncio da mansão era quase ensurdecedor. Encontrei Francesca na sala de jantar. O clima entre nós estava pesado. Desde o nosso embate no corredor, ela não fazia questão nenhuma de esconder sua indiferença.
— Bom dia, Francesca — eu disse, sentando-me à mesa.
— Bom dia, senhorita Rossi — ela respondeu, servindo o café.
— Onde está o Massimo? Já desceu? — Tentei soar casual, mas minha voz entregou um pouco de curiosidade.
— O senhor Capone saiu muito cedo, senhorita. Ele tinha assuntos urgentes para tratar fora da cidade — ela respondeu de forma curta, sem oferecer detalhes, e eu não insisti. Com Massimo, pelo visto "assuntos urgentes" podiam significar qualquer coisa, desde uma fusão bilionária até algo que envolvesse o som de tiros. Francesca saiu da sala logo em seguida, me deixando sozinha com meus pensamentos.
Terminei meu café em silêncio. Quando me levantei para sair, Francesca me acompanhou até a porta.
— O motorista já está à sua espera no estacionamento para levá-la à empresa — ela avisou.


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