POV: Chiara
— Chiara? Terra chamando Chiara! — Giulia estalou os dedos na frente do meu rosto, me tirando do transe. — Você disse que está perdendo o controle. O que ele fez? Ele te forçou a alguma coisa?
— Não, Giu. Ele não me forçou a nada — respondi, e senti meu rosto esquentar ao lembrar que, na verdade, eu é que tinha parado de resistir. — É que... ele não é quem eu pensava. Quer dizer, eu sabia que ele era poderoso, mas o nível de perigo é outro. Ele admitiu coisas ontem, sobre quem ele é de verdade.
Giulia franziu a testa, mexendo na salada. Eu já tinha mostrado a ela o que encontrei na internet sobre ele, mas ela ainda achava que Massimo era apenas um bilionário excêntrico com mania de posse.
— Amiga, todo homem com aquele nível de dinheiro tem esqueletos no armário. O que ele é? Um sonegador de impostos? Um tubarão dos investimentos?
— Mais do que isso. Muito mais — murmurei, apertando o lenço no meu pescoço, sentindo a leve ardência da marca sob o tecido. — Lembra do que eu te mostrei? Sobre a Família Capone, máfia italiana, Tríade... então, é tudo verdade. Ele é um "Don". Giu, eu estou vivendo na casa de um chefe da máfia.
Giulia parou o garfo no ar. O sorriso dela sumiu, substituído por uma expressão de choque puro.
— Você está brincando, né? Isso não é um filme, Chiara. É a vida real. Você confirmou e está dizendo que o cara que está pagando o tratamento do seu pai é... um criminoso, um mafioso?
— Eu não sei se "criminoso" ou "mafioso" é a palavra que ele usaria. Ele prefere "homem de negócios poderoso". Mas o brilho nos olhos dele quando fala de poder... é assustador. E o pior, Giulia — fiz uma pausa, sentindo um nó na garganta —, o pior é que, quando ele me toca, eu esqueço de tudo isso. Eu sinto coisas que nunca senti antes. Medo e desejo, tudo misturado.
Giulia ficou em silêncio por um longo tempo. Ela me conhecia melhor do que ninguém e sabia que eu sempre fui a que planejava tudo, a que buscava segurança.
— Chiara, você precisa ter cuidado. Se ele for mesmo quem você diz, você não está em um contrato de casamento, você está em uma armadilha. E se você começar a gostar da armadilha, não vai querer sair nunca mais.

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