POV: Massimo
Passei a madrugada no escritório, a mente oscilando entre o desejo por Chiara e a fúria pelo que aconteceu com Adrian. O whisky e os cigarros foram meus únicos companheiros até o sol começar a dar as caras. Quando a luz da manhã filtrada pelas persianas se tornou insuportável, tomei um banho gelado para despertar os sentidos e saí com uma equipe pesada em direção ao aeroporto.
O hangar particular estava silencioso quando o jato de Matteo tocou a pista. Assim que a escada baixou, a figura imponente dele surgiu. Matteo não precisava de palavras para expressar o que sentia; a rigidez de seus ombros e o olhar sombrio diziam tudo.
— Você está com uma cara de merda, Massimo — disse ele, assim que pisou no asfalto, apertando minha mão com firmeza.
— A noite foi longa — respondi secamente. — Vamos, não temos tempo a perder.
Entramos no carro blindado e partimos em direção a Piemonte. Enzo e os outros seguranças seguiam em outros dois veículos, formando um comboio discreto, mas letal. Dentro do carro, o silêncio durou apenas o tempo necessário para sairmos da área do aeroporto.
— Alguma notícia nova da equipe de busca? — Matteo perguntou, enquanto verificava algumas mensagens em seu tablet.
— Damon já assumiu a coordenação. Estão usando drones térmicos agora, mas a área é densa. Se o Adrian estiver lá, nós vamos encontrá-lo. Vivo ou morto.
Matteo assentiu, o rosto como uma máscara de pedra.
— E o acordo em Piemonte? Os representantes do Norte estão nervosos. Eles acham que a queda do avião é sinal de que a Tríade está sangrando.
— É por isso que estamos indo pessoalmente — respondi, observando a paisagem correr pela janela. — Eles precisam ver que, se um de nós cai, os outros dois ficam ainda mais perigosos. Adrian queria essa negociação fechada, e nós vamos entregar isso a ele. Não haverá renegociação de termos. Eles assinam o que foi combinado ou o Norte sentirá o peso da nossa mão.
A conversa seguiu técnica, fria. Planejamos cada detalhe da reunião, antecipando as possíveis resistências dos fornecedores. Matteo estava focado, mas percebi que ele me observava de soslaio. Ele sabia que algo além do Adrian estava me tirando do eixo, mas, por enquanto, respeitava o meu silêncio.
Chegamos a Piemonte sob um céu nublado. A propriedade onde ocorreria a reunião era uma vinícola antiga, usada como fachada para negócios muito mais lucrativos. Descemos do carro e a recepção foi imediata. Homens armados dos dois lados se mediram, mas o respeito — ou o medo — pela nossa presença era evidente. Entramos na sala de conferências com a autoridade de quem não aceita um "não" como resposta.
A reunião foi tensa, longa e desgastante. Levou horas de pressão psicológica e demonstração de força para que os termos de Adrian fossem finalmente ratificados.
Por volta das 16:00, durante uma breve pausa enquanto os advogados revisavam os contratos finais, peguei meu celular. A imagem de Chiara na noite anterior, vulnerável e entregue na minha mesa, invadiu minha mente com uma força avassaladora.
Abri o contato dela. Eu sabia que ela estava no trabalho, tentando fingir que a vida dela ainda era normal. Digitei a mensagem com rapidez:
"Esteja pronta às 19:00. O motorista irá buscá-la. Vamos jantar na casa dos meus pais. Não se atrase. M."
Enviei e guardei o aparelho sem esperar resposta.
°°°
Finalmente, os advogados terminaram de revisar as cláusulas e assinamos os contratos. O acordo estava fechado. Com isso, a Tríade agora tinha o caminho livre para se infiltrar nos negócios locais do Norte. Era uma vitória estratégica, mas o peso da ausência de Adrian ainda pairava sobre nós.
No carro, enquanto deixávamos Piemonte, Matteo comentou:
— Vou pedir para prepararem uma suíte em um hotel em Milão.
— Nada disso — respondi imediatamente, sem tirar os olhos da estrada. — Você vai ficar na mansão.
Ele me olhou de soslaio, arqueando uma sobrancelha.
— Não quero atrapalhar. Você levou aquela garota para lá, não foi?



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