POV: Massimo
O almoço com Chiara foi, surpreendentemente, um dos momentos mais tranquilos que tive em muito tempo. Por trás daquela fachada de resistência e da língua afiada que ela insiste em usar para me afrontar, há uma chama que me fascina. Eu gosto do desafio. Com Chiara ao meu lado, eu tinha a certeza de que jamais morreria de tédio. Cada palavra atrevida dela só servia para aumentar meu interesse e meu desejo.
Deixá-la de volta na empresa foi um teste de autocontrole. A última coisa que eu queria era vê-la voltar para aquele escritório; meu desejo real era levá-la para casa, trancá-la no meu quarto e possuí-la como o verdadeiro diabo que ela diz que eu sou. Nunca desejei uma mulher com tamanha intensidade, uma sede que parecia não ter fim.
Mas o dever me chamava. Horas depois, eu estava em uma sala de reuniões cercado por oficiais de alto escalão. O clima era denso. Estávamos revisando novos acordos comerciais, analisando relatórios de guerras estourando entre facções rivais e territórios que passariam para nossa posse. Era a rotina constante e sangrenta do meu mundo.
A porta se abriu e Matteo entrou. Ele não precisou dizer nada; o peso do seu olhar foi o suficiente.
— Precisamos conversar. Agora — disse ele.
Levantei-me, ordenei que os outros continuassem a reunião e segui para o meu escritório particular. Matteo já estava ligando o monitor para uma chamada de vídeo criptografada. O agente Damon apareceu na tela, a expressão mais séria do que o normal.
— Damon. Diga que tem algo concreto — falei, cruzando os braços.
— Senhor Capone, Matteo. Investigamos a fundo a suspeita de sabotagem no avião. Cruzamos registros de manutenção, comunicações de rádio e acessos ao hangar — Damon começou, deslizando alguns arquivos digitais para a tela compartilhada. — Todos os rastros, cada pequena irregularidade, nos levaram a um único nome que autorizou a entrada da equipe de "manutenção" fantasma: Nicolo Senove.
Senti o maxilar travar.
— Tem certeza disso? — perguntei, minha voz saindo como um rosnado.
— Absoluta. Senove foi o executor intelectual do plano que derrubou o avião de Adrian.
Matteo deu um soco na mesa, os olhos faiscando de fúria.
— Aquele desgraçado! Nicolo é um traidor maldito!

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