POV: Massimo
O som rítmico e abafado dos aparelhos de monitoramento era a única coisa que preenchia o quarto pequeno, de teto baixo e paredes descascadas. Adrian estava ali. Pálido, com o corpo marcado por diversos ferimentos, hematomas profundos e curativos que cobriam boa parte de sua pele, mas respirando. Ver meu irmão naquela cama, dependendo de equipamentos de um hospital tão simples e limitado, me deu um nó no estômago que eu não permiti que transparecesse. Era uma mistura de alívio por encontrá-lo e fúria por vê-lo naquele estado.
Nós quatro entramos no quarto em silêncio. Matteo não esperou; foi direto para a beira da cama, os olhos fixos em Adrian, como se tentasse garantir que ele realmente estava respirando.
— Boa noite. Somos a família dele. Irmãos — anunciei para os dois médicos que estavam ajustando o suporte do soro. — Sou, Massimo Capone.
Um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos, se aproximou com um prontuário em mãos.
— Sou o Dr. Luigi, responsável pela emergência. O irmão de vocês é um verdadeiro milagre, Sr. Capone. Pelo que soubemos da queda, ele não deveria estar aqui. Tivemos que sedá-lo há pouco tempo; ele estava extremamente agitado, tentando se levantar e falando coisas desconexas. O corpo dele entrou em um estado severo de choque e defesa.
— Ele corre risco de vida? — Matteo perguntou, a voz mais baixa do que o costume.
A outra médica, Dra. Maria, interveio com um tom profissional, mas cauteloso.
— No momento, o quadro é estável, mas exige atenção absoluta em cada detalhe. Ele sofreu múltiplas fraturas. As costelas preocupam pela respiração, mas o dano mais grave foi na perna direita. O impacto causou uma fratura exposta complexa e danos sérios nos ligamentos. Ele precisará de cirurgias reconstrutivas e meses de fisioterapia intensa para recuperar a movimentação total. Sem isso, ele corre o risco de ficar com sequelas permanentes.
Olhei para o rosto de Adrian. Ele parecia exausto, mesmo sob o efeito dos sedativos. O ódio por Nicolo Senove queimou novamente no meu peito, um gosto amargo de bile. Eu deveria ter sido ainda mais lento e cruel com aquele rato traidor.
— Quando podemos tirá-lo daqui? — fui direto ao ponto, cruzando os braços. — Tenho uma equipe de elite e um hospital de ponta esperando por ele em Milão. Quero a transferência para o meu jatinho agora.

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