POV: Chiara
O som do gelo batendo contra o cristal do copo era música para os meus ouvidos. Francesca trouxe a garrafa de whisky com aquela eficiência silenciosa e quase robótica de sempre. Serviu-me uma dose generosa, fez o mesmo para Sofia e para Giulia, que aceitou com um brilho de antecipação no olhar. Aurora, com sua postura de rainha-mãe, recusou gentilmente, preferindo manter a sobriedade enquanto nos observava com um sorriso acolhedor que parecia desarmar qualquer defesa.
O clima na sala de estar estava leve, aquecido pelo álcool e pela risada de Sofia, que parecia adorar o choque de mundos que Giulia trazia. Aurora, no entanto, estava em uma missão diferente: ela queria conhecer a mulher que, por contrato ou destino, carregaria o legado dos Capone.
— Diga-me, Chiara — Aurora começou, cruzando as pernas de forma elegante —, como você e Giulia se tornaram tão próximas? É raro ver uma amizade que sobreviva com tanta intensidade no meio de tantas mudanças.
Olhei para Giulia, que já estava com a ponta do nariz levemente avermelhada pelo whisky, e senti um calor no peito que não vinha da bebida.
— Nós somos amigas de infância, Aurora. Estudamos juntas desde que éramos crianças, quando nossos maiores problemas eram dividir os lápis de cor. Ela é, sem dúvida, o ponto de luz da minha vida. Giulia esteve ao meu lado em todos os momentos — os dias em que eu achei que o mundo ia desmoronar e os dias em que comemoramos vitórias que pareciam impossíveis. Ela conhece cada cicatriz minha, as visíveis e as que eu escondo.
Giulia, que geralmente é a pessoa mais barulhenta da sala, ficou em silêncio por um segundo. Vi seus olhos marejarem antes de ela se inclinar e me envolver em um abraço apertado, daqueles que dizem tudo o que as palavras não alcançam.
— Ela é a minha irmã de alma — Giulia sussurrou contra o meu ombro, visivelmente emocionada. — E eu nunca vou deixar esse mundo de lobos machucar você, Chiara.
Sofia soltou um suspiro dramático, mas seus olhos tinham um brilho diferente enquanto observava a cena.
— Que lindo! Quase me faz querer ter sentimentos — ela brincou, embora houvesse uma nota de admiração em sua voz. — Mas agora, chega de choro. Já acabamos com essa garrafa de whisky e o sol lá fora está implorando para que a gente faça algo mais interessante. O que acham da piscina?
Concordamos imediatamente. Aurora se levantou primeiro.
— Vou pedir à Francesca para preparar alguns petiscos e levar para a área externa. Vocês podem ir se trocar. Vou encontrar vocês lá em breve.
Subimos as escadas em meio a risadinhas e conversas cruzadas. Levei Giulia até o quarto de hóspedes que havia sido preparado para ela — um cômodo vasto, decorado em tons de creme e dourado, que ficava ao lado do quarto de Matteo.
— Fique à vontade, amiga. O biquíni está na mala? — perguntei.
— Você me conhece, Chiara. Eu trouxe o arsenal completo — ela piscou, entrando no quarto para se trocar.
Segui para o quarto de Massimo. O ambiente ainda tinha aquele rastro sutil do perfume amadeirado dele, o que me fez sentir uma pontada estranha de saudade e ansiedade. Entrei no closet imenso e comecei a vasculhar as gavetas até encontrar o que queria.
Escolhi um maiô preto de uma peça só, mas que de básico não tinha nada. O tecido se moldava ao meu corpo como uma segunda pele. Ele tinha um decote profundo em "V" que quase chegava ao umbigo, desafiando a gravidade para sustentar meus seios grandes. O corte era extremamente cavado nos quadris, acentuando minhas curvas e deixando minhas coxas totalmente à mostra. Quando me olhei no espelho de corpo inteiro, vi uma mulher que eu mal reconhecia: poderosa, provocante e, talvez, um pouco embriagada pelo whisky.
Em um impulso de coragem, peguei o celular. Posicionei-me de costas para o espelho, arqueei as costas para destacar minha bunda e tirei uma foto que deixava pouco para a imaginação. Sem pensar duas vezes, enviei para o celular de Massimo. Joguei o aparelho em cima da colcha de seda da cama, sentindo um frio na barriga, e desci antes que o arrependimento me alcançasse.
Ao chegar na sala, encontrei Aurora conversando com Francesca. Assim que ela me viu, parou de falar e seus olhos se arregalaram levemente.
— Minha nossa, Chiara... você é maravilhosa e sabe disso — ela disse, com uma honestidade que me fez corar instantaneamente. — Meu filho realmente acertou na escolha. Você carrega a beleza e a força que o nome Capone exige.

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