POV: Massimo
O ar do hospital estava saturado com aquele cheiro estéril que me causava náuseas, mas eu não sairia do lado de Adrian até que tivesse respostas concretas. Já passava das treze horas. Matteo e eu estávamos no quarto, observando o peito do nosso irmão subir e descer de forma lenta e artificial. O silêncio era interrompido apenas pelo bipe constante do monitor cardíaco, um som que, embora irritante, era o único lembrete de que ele ainda estava conosco.
A porta se abriu e o Dr. Luigi entrou acompanhado pela Dra. Maria. Eles pareciam menos tensos do que na noite anterior, o que me deu um fio de esperança, embora eu mantivesse minha expressão dura.
— Sr. Capone — o médico começou, ajustando os óculos. — Revisamos os exames de imagem da bacia e do crânio que foram realizados ontem. Temos boas notícias. Não há edema cerebral significativo, o que é um alívio considerando a força do impacto. No entanto, decidimos manter a sedação por mais vinte e quatro horas.
Eu o encarei com desconfiança. Precisava entender o estado real da consciência dele.
— Ele deu entrada acordado neste hospital? Por que exatamente vocês estão querendo manter o Adrian desacordado agora?
— É, verdade. Por que manter ele apagado se o cérebro está bem? — Matteo questionou, cruzando os braços.
O Dr. Luigi assentiu, compreendendo nossa impaciência.
— Sim, ele deu entrada consciente, mas em um estado de choque profundo. Ele estava extremamente agitado, tentando se levantar mesmo com a fratura exposta, o que poderia ter rompido uma artéria. Sedamos ele para proteger sua integridade física.
— Porque o trauma físico na perna e nas costelas é extenso — explicou a Dra. Maria. — Se ele acordar agora, a dor será insuportável e a agitação dele pode causar o deslocamento das fraturas que acabamos de alinhar. O corpo dele precisa de repouso absoluto para que os processos inflamatórios comecem a ceder. Vamos aguardar mais um dia para uma nova avaliação. Se os índices de oxigenação continuarem estáveis, começaremos o desmame da medicação amanhã cedo.
Assenti, absorvendo as informações. Eles garantiram que, apesar da gravidade, Adrian iria ficar bem, mas a paciência era a única ferramenta que eu não tinha em abundância.
Assim que os médicos saíram, o visor do meu celular brilhou. Era uma vídeo chamada do meu pai. Respirei fundo, ajeitando a postura antes de atender. Matteo se aproximou, colocando-se ao meu lado para que também aparecesse na tela.

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