POV: Massimo
O quarto de hospital naquele vilarejo esquecido por Deus era pequeno e abafado, mas finalmente exalava algo parecido com vida. O sol da manhã entrava pelas frestas da persiana, cortando o ar carregado de antisséptico com feixes de luz que dançavam sobre os lençóis brancos. Minha mão ainda envolvia a de Adrian, sentindo o pulsar fraco, mas constante, do seu sangue. Éramos irmãos de alma, forjados no fogo e no dever. Ver Adrian naquela cama era como ver uma parte da minha própria estrutura prestes a ruir.
— Vamos, Adrian... abre os olhos, garoto — murmurei. Minha voz era um comando, mas carregava a vulnerabilidade que eu só me permitia sentir diante deles.
As pálpebras dele tremeram novamente, lutando contra o peso residual da sedação profunda. Foram segundos que pareceram horas até que ele revelasse o azul turvo dos seus olhos. Ele piscou várias vezes, tentando focar no teto, depois nas máquinas e, finalmente, até que seu olhar encontrou o meu. Houve um lampejo de pânico, uma confusão imediata que fez o monitor cardíaco acelerar o ritmo dos bipes.
— Shh... calma. Você está seguro. Eu estou aqui — eu disse, apertando sua mão com um pouco mais de firmeza para ancorá-lo na realidade.
— Mas... simo... — a voz dele saiu como um sussurro seco, uma falha rouca. Ele tentou tossir, mas a dor nas costelas fraturadas o fez se contrair e soltar um gemido agoniado.
— Não tente falar agora. Você sofreu um acidente, Adrian. O avião caiu, mas você sobreviveu. Estamos em um hospital no vilarejo — expliquei de forma rápida e direta, sabendo que a desorientação era o pior inimigo dele naquele momento.
Matteo se aproximou do outro lado da cama, o rosto rígido de alívio.
— Você é um desgraçado difícil de matar, pirralho — Matteo brincou, mas sua mão, que pousou no ombro de Adrian, entregava sua emoção.
Adrian tentou sorrir, um esboço torto e dolorido.
Peguei o celular e mandei uma mensagem para Damon.
"Ele acordou."
Logo em seguida, Enzo apareceu na porta do quarto. Enzo entrou com a postura de quem nunca baixa a guarda. Ele olhou para Adrian, assentiu com respeito, mas depois fixou os olhos em mim. Ele tinha aquela expressão que eu conhecia bem: algo estava errado lá fora.
— Com licença, Matteo — Enzo disse suavemente. — Massimo, podemos falar um minuto?
Assenti e saí para o corredor, deixando a porta entreaberta. O corredor do hospital estava vazio, exceto pelos meus homens estrategicamente posicionados. Enzo se aproximou, falando em um tom baixo, apenas para os meus ouvidos.
— Recebi um alerta agora pouco, Don — começou Enzo, os olhos varrendo as extremidades do corredor. — Temos um homem ainda não identificado rondando o vilarejo. Ele está fazendo perguntas demais em um dos bares próximos e tentando descobrir detalhes sobre quem deu entrada no hospital após o acidente.
Senti o maxilar travar.
— Alguém da inteligência inimiga?
— Ainda não sabemos. Ele é profissional, sabe como se misturar, mas os locais ficaram desconfiados. Já enviei dois homens para segui-lo sem que ele perceba. Ele quer saber se Adrian sobreviveu, Massimo.
— Se ele quer informações, vamos dar a ele o que ele merece — respondi, a fúria fria subindo pela minha garganta. — Além de você, mantenha todos os outros em alerta total. Ninguém entra neste corredor sem passar por você ou por mim. E avise ao Damon assim que ele chegar.

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