POV: Chiara
O silêncio do quarto de Massimo ainda parecia vibrar com a intensidade das noites passadas. Eu estava parada diante do espelho do closet, terminando de abotoar uma blusa de seda leve, enquanto tentava afastar da mente as imagens provocantes que trocamos por mensagens. Minha pele ainda parecia queimar sob o toque das palavras dele. Eu estava me preparando para visitar meu pai no hospital; era um dos poucos momentos do dia em que eu sentia que podia respirar um ar que não estivesse carregado de máfia, embora soubesse que nunca estava realmente sozinha.
Uma batida suave na porta interrompeu meus pensamentos.
— Pode entrar — eu disse, terminando de ajeitar o cabelo.
A porta se abriu e Sofia entrou. Ela não tinha aquela postura rígida dos homens da casa; havia uma leveza nela que me confundia e, ao mesmo tempo, me atraía. Ela caminhou pelo quarto com uma curiosidade quase infantil e sentou-se na beira da imensa cama de casal.
— Uau — ela murmurou, passando a mão pelo lençol de seda. — É a primeira vez que entro aqui. Sabe, Chiara, meu irmão deve gostar mesmo de você.
Parei o que estava fazendo e me virei para ela, curiosa.
— Por que você diz isso?
Sofia soltou uma risadinha, balançando os pés.
— Massimo nunca trouxe mulher nenhuma para o quarto dele. Ninguém tem permissão de entrar aqui, nem mesmo a mamãe entra sem um motivo muito sério. Ele sempre foi extremamente territorialista e privado. O fato de você estar instalada aqui, vivendo no espaço mais pessoal dele, diz muito sobre o que ele sente.
Fiquei surpresa. Eu sabia que Massimo era um homem difícil, mas não imaginava que eu ocupava um lugar tão exclusivo na vida dele. Um calor estranho se espalhou pelo meu peito, uma mistura de triunfo e medo.
— Eu não sabia disso — confessei, sentando-me na poltrona à frente dela.
— Pois saiba — Sofia continuou, suavizando o tom. — Estou muito feliz por você ter aparecido na vida dele. Eu entendo que esse mundo em que vivemos não é nada fácil... é bruto, é escuro. Mas sinto que você vai se sair bem. Você tem uma força que ele respeita.
— Obrigada, Sofia. De verdade. O seu apoio significa muito para mim agora — respondi, sentindo uma sinceridade genuína naquela conversa.
Sofia levantou-se e sorriu com os olhos brilhando.
— Sabe... eu gostaria de ir visitar o seu pai com você hoje. Se você permitir, é claro.
Arregalei os olhos, surpresa.

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