POV: Massimo
O sol de Milão filtrava-se pelas frestas das cortinas pesadas, desenhando linhas de ouro sobre o lençol de seda. Eu senti o peso quente de Chiara sobre o meu peito antes mesmo de abrir os olhos. Ela estava profundamente adormecida, com o rosto escondido na curvatura do meu pescoço e uma perna entrelaçada na minha. O cheiro de seu cabelo, uma mistura de baunilha e do banho da noite anterior, era a primeira coisa que invadia meus sentidos.
Tentei me mover com cuidado, mas um relance rápido para o relógio na mesa de cabeceira me fez estacar. Eram oito horas da manhã.
Fiquei imóvel por um segundo, processando aquela informação. Eu nunca, em hipótese alguma, dormia até as oito. Meu corpo estava programado para despertar às cinco, no máximo cinco e meia, um hábito forjado por anos de vigilância constante e a necessidade de estar sempre um passo à frente dos meus inimigos. Dormir demais era um luxo perigoso no meu mundo, mas ali, com o corpo de Chiara colado ao meu, eu percebi que a exaustão física e mental finalmente encontrara um lugar onde ela podia baixar a guarda.
Ela se mexeu levemente, soltando um suspiro baixo contra a minha pele, e eu a apertei um pouco mais. Eu odiava o quanto aquela mulher estava começando a me tornar humano, mas, ao mesmo tempo, odiava o fato de que eu teria que deixá-la em breve para lidar com a sujeira que nos cercava.
— Massimo? — ela sussurrou, a voz rouca pelo sono, abrindo os olhos lentamente.
— Bom dia, bella — respondi, depositando um beijo em sua testa. — Dormimos demais.
Ela sorriu, um sorriso preguiçoso que fez meu estômago dar um solavanco.
— Talvez seja porque você estava precisando.
— Talvez — admiti, embora soubesse que o "precisar" dela era muito mais profundo.
Levantamos e, após um banho rápido — onde tive que exercer um autocontrole sobre-humano para não começar o que terminamos na madrugada —, descemos para o café da manhã. A mansão já estava em pleno funcionamento. O som de talheres contra a porcelana vinha da sala de jantar.
Ao entrarmos, encontramos Sofia e Giulia já à mesa. Sofia parecia radiante, com aquele brilho nos olhos que indicava que ela já estava planejando alguma travessura para o dia. Giulia, por outro lado, parecia um pouco mais contida ao me ver.
Caminhei até a cabeceira da mesa, mantendo Chiara ao meu lado.
— Bom dia a todos — eu disse, minha voz retomando o tom grave e autoritário de sempre.
— Bom dia, irmão! Finalmente o Don resolveu aparecer para o mundo — Sofia cantarolou, levando uma xícara de café aos lábios. — Achamos que você tinha sido sequestrado.
Ignorei a provocação da minha irmã e me virei para Giulia, que me observava com uma mistura de respeito e curiosidade.
— Você deve ser a Giulia — falei, estendendo a mão de forma oficial. — Eu sou Massimo Capone. Peço desculpas por não termos nos conhecido formalmente antes, mas as circunstâncias não foram as mais favoráveis.
Giulia apertou minha mão com firmeza, embora houvesse uma leve hesitação.
— É um prazer, Sr. Capone. Chiara fala muito do senhor... — ela lançou um olhar cúmplice para Chiara, que corou levemente. — Fico feliz que tenha voltado em segurança.

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