POV: MASSIMO
O som do gotejar de uma torneira mal fechada ecoava no galpão, competindo com a respiração sôfrega do homem à minha frente.
Enzo permanecia nas sombras, um espectro silencioso e atento. O homem amarrado à cadeira, que agora eu sabia se chamar Stefano, tentava manter uma dignidade que já havia perdido no momento em que meus homens o arrastaram para fora daquele vilarejo.
— Sabe, Stefano — comecei, minha voz saindo num tom calmo, quase didático, enquanto eu girava a faca tática entre os dedos — o tempo é um recurso curioso. Para mim, ele é precioso. Para você, ele é o que separa a sua dor atual de algo muito, muito pior. Onde está Alessandro Moretti?
O homem cuspiu sangue no chão de cimento e deu uma risada rouca, que terminou em um acesso de tosse.
— Você... você não tem nada, Capone. Moretti vai acabar com a Tríade. Eu não vou dizer nada.
Eu não mudei minha expressão. Aproximei-me lentamente e, sem qualquer aviso, cravei a ponta da lâmina na carne da sua coxa, girando-a com uma precisão cirúrgica para evitar as artérias principais. Eu queria dor, não um cadáver. O grito dele rasgou o silêncio do galpão, um som agudo que morreu rapidamente em um gemido de agonia.
— Errado — murmurei, aproximando meu rosto do dele. — Eu tenho tudo. Tenho você, tenho recursos e tenho uma paciência que está se esgotando. Alessandro Moretti é um covarde que manda garotos como você para fazer o trabalho sujo enquanto ele se esconde em algum buraco. Dê-me o endereço.
— Eu não sei... — ele gaguejou, o suor escorrendo pelos olhos. — Ele nunca nos dá a localização exata até o último minuto.
Puxei a faca de volta, limpando o sangue na calça dele.
— Resposta errada. Vamos tentar de novo.
Passei para a mão dele. Apoiei seus dedos sobre a mesa de metal fria. Enzo deu um passo à frente, segurando o pulso do homem para que ele não pudesse recuar. Eu não precisei dizer nada. O medo nos olhos de Stefano era palpável. Eu posicionei a lâmina sobre o seu dedo mindinho.
— Espere! — ele gritou, o corpo tremendo violentamente contra as cordas. — Eu não tenho o endereço, mas eu sei o que ele está planejando! Eu sei o que vem a seguir!

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