POV: Chiara
O quarto ainda estava impregnado com o cheiro do nosso suor e a eletricidade residual do que tínhamos acabado de viver. Eu estava deitada sobre o peito de Massimo, sentindo as batidas do coração dele começarem a desacelerar, enquanto o calor da sua pele contra a minha me dava uma sensação de segurança que, no fundo, eu sabia ser frágil. O prazer tinha sido avassalador, mas, como sempre acontecia nos momentos de silêncio após o furacão, a realidade começava a se infiltrar pelas frestas.
Ergui um pouco a cabeça, olhando para o perfil firme dele. Ele parecia relaxado, algo raro para o Don da Tríade. Mas as palavras de Sofia ainda ecoavam na minha mente como um alerta constante.
— Massimo... — chamei baixinho, traçando círculos imaginários no peito dele.
— Diga, bella — ele murmurou, a voz ainda rouca, passando a mão pelos meus cabelos.
— Eu estou preocupada. Sofia e Giulia perceberam que acordamos tarde hoje. Elas brincaram sobre isso, mas Sofia me deu um alerta sério. Ela disse que o seu pai é extremamente rígido com as regras da organização, especialmente sobre a minha... pureza até o casamento. Se outras pessoas descobrirem que estamos vivendo assim antes da hora, isso não pode te prejudicar?
Massimo soltou um suspiro nasal, um som que beirava o desdém. Ele abriu os olhos e me encarou com aquela segurança inabalável que só ele possuía.
— Ninguém vai dizer nada ao meu pai, Chiara. Meus homens são leais a mim, e Sofia sabe onde o limite dela termina. Eu sou o Don. Minhas regras valem dentro desta casa mais do que qualquer tradição antiga. Não perca seu sono com isso.
— Mas não são só os seus homens — insisti, sentindo um aperto no peito. — Sofia mencionou a Francesca. Ela disse que a governanta é leal a você, sim, mas que a lealdade dela com o seu pai é muito mais antiga. Se ela sentir que estamos quebrando a honra da família, ela pode acabar abrindo a boca.
Desta vez, Massimo deu uma leve risada, embora seus olhos continuassem sérios. Ele se inclinou e beijou a ponta do meu nariz.
— Quem assina o cheque da Francesca no final do mês sou eu, não o meu pai. A lealdade dela está exatamente onde o dinheiro está. E, além do mais, ela sabe o que acontece com quem trai a minha confiança.
Ele fez uma pausa, segurando meu queixo para que eu não desviasse o olhar.

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