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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 84

POV: Massimo

Fechei a porta do banheiro com mais força do que o necessário, o estalo da madeira ecoando como um tiro contra o mármore. Liguei a torneira e joguei água gelada no rosto, tentando aplacar o calor que ainda subia pelo meu pescoço, mas não era apenas o desejo residual que me perturbava. Era o ódio. Um ódio frio e afiado direcionado àquela palavra que Chiara teve a audácia de pronunciar: amor.

Apoiei as mãos na pia e encarei meu reflexo no espelho. Meus olhos ainda estavam dilatados, e a marca dos dentes dela no meu lábio inferior era um lembrete vívido da nossa entrega minutos atrás. Eu a desejava com uma intensidade que beirava a loucura, mas amor? Amor era um veneno. Eu vi o que o "amor" fez com homens fortes na história da nossa família; ele os tornava lentos, hesitantes, vulneráveis. No meu mundo, se você ama algo, você dá ao inimigo um alvo claro. E eu não pretendia ser o alvo de ninguém.

O que me irritava de verdade não era a ilusão dela, mas o fato de que a ideia de Chiara ir embora tinha causado uma reação física em mim. Meu peito apertou por um milésimo de segundo antes da minha possessividade assumir o controle. Ela não iria a lugar nenhum. Se eu tivesse que quebrar cada uma daquelas asas delicadas para mantê-la na gaiola, eu faria.

Afinal, meu plano sempre foi manipulá-la para me querer tanto ao ponto de não conseguir viver sem mim, de ser totalmente dependente de estar ao meu lado. Eu nunca disse que era um homem bom, e a manipulação é uma das melhores qualidades que eu possuo. Pelo menos é assim que eu opero. Faço o que for preciso para manter Chiara na minha vida, mas agora eu precisava pensar direito em como agir. Não podia afastá-la de vez; pelo contrário, eu tinha que controlar a narrativa novamente, trazê-la de volta para a palma da minha mão sem que ela percebesse os fios que eu puxava.

Saí do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, o vapor quente ainda me seguindo. Chiara continuava exatamente onde eu a deixara: sentada na ponta da cama, enrolada naquele lençol de seda branca, parecendo pequena e quebradiça. Seus olhos estavam vermelhos e ela olhava para o vazio com uma expressão de quem tinha acabado de perceber que o conto de fadas era, na verdade, um contrato de guerra.

Não disse uma palavra. Ainda estava processando a estratégia para apagar esse incêndio emocional. Caminhei direto para o closet. O silêncio entre nós era pesado, quase sólido. Lá dentro, escolhi um terno cinza-escuro, uma camisa preta de seda e sapatos italianos impecáveis. Vestir-me era como colocar minha armadura. Enquanto ajustava o relógio no pulso, olhei para o marcador digital: 19:30. Tínhamos perdido a noção do tempo naquela cama, e isso era um erro que eu não costumava cometer.

Saí do closet abotoando os punhos da camisa. Parei diante dela, que nem sequer levantou a cabeça para me encarar.

— Tome banho e se vista — ordenei, minha voz voltando ao tom frio e autoritário de sempre. — O jantar será servido em breve e não tolero atrasos à minha mesa.

Ela não respondeu, mas vi seus ombros subirem em um suspiro trêmulo. Saí do quarto sem olhar para trás. Eu precisava de espaço. Precisava lembrar a mim mesmo de quem eu era antes de sentir o cheiro de baunilha da pele dela novamente, porque eu também não poderia me deixar afetar tanto ao ponto de a situação se inverter. Eu era o mestre, ela era a peça. Inverter esse jogo seria a minha ruína.

Caminhei pelo corredor até o meu escritório. Assim que entrei, fechei a porta e me sentei atrás da pesada escrivaninha de carvalho. Peguei o telefone e disquei o número do meu pai. Ele tinha ligado em um momento inoportuno, e na nossa vida, urgência vinda do patriarca nunca era boa coisa.

— Massimo — a voz dele soou do outro lado, rouca e carregada de uma autoridade que ele ainda se recusava a ceder completamente para mim.

— Pai. O senhor disse que era urgente.

— Sim. Marquei um jantar para amanhã à noite, aqui na minha casa. Alguns homens de Chicago e dois representantes do clã siciliano estarão presentes. Eles estão interessados em fechar novos negócios logísticos, e a sua presença como Don é indispensável.

Franzi o cenho. O clã siciliano era tradicionalista demais e os americanos eram imprevisíveis. Uma mistura perigosa para um jantar de "negócios".

— Que tipo de negócios, exatamente? — questionei, tamborilando os dedos na mesa. — Nossas rotas já estão saturadas e não me lembro de termos aberto licitação para novos parceiros em Chicago.

Houve um breve silêncio do outro lado, o tipo de silêncio que meu pai usava quando estava ocultando algo importante.

— Discutiremos os detalhes amanhã, Massimo. Não seja impaciente. — Ele pigarreou, mudando de assunto com uma agilidade calculada. — E aquela garota... ela ainda está na sua casa?

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