POV: Massimo
O ar da noite estava gelado, cortante contra a pele, mas não chegava nem perto da frieza que eu carregava no peito enquanto cruzava o pátio da mansão em direção ao carro. Enzo já me esperava com o motor ligado, a expressão vigilante. Ele não disse uma palavra; ele me conhecia o suficiente para saber que o silêncio era a única coisa que eu tolerava quando minha mente estava a mil por hora. O peso do que aconteceu no quarto com Chiara ainda estava ali, como uma sombra persistente, grudada em mim. Cada palavra dura que eu disse, cada lágrima que vi escorrer pelo rosto dela, alimentava o monstro da possessividade dentro de mim. Mas eu precisava focar na minha outra prioridade. A Tríade não era feita apenas de contratos e poder; era feita de sangue, e o sangue de um dos meus exigia minha vigilância total.
— Para o hospital, Enzo — ordenei, fechando a porta com um baque surdo que ecoou pela garagem silenciosa.
Durante o trajeto, observei as luzes da cidade passando como borrões coloridos pela janela. Minha mente era um campo de batalha desordenado. De um lado, a imagem de Chiara encolhida no lençol, a prova viva de que minha manipulação estava funcionando — ela estava fragilizada, vulnerável, e isso a tornava mais fácil de controlar. Mas era um custo que eu ainda não sabia se estava disposto a pagar totalmente. Do outro lado, havia a fragilidade de Adrian. Trazê-lo do hospital daquele vilarejo remoto para a nossa estrutura privada na cidade havia sido um risco logístico necessário. A vulnerabilidade não era algo comum entre nós, e ver um de meus irmãos de armas, um homem que eu considerava um pilar, caído daquela forma, era um lembrete constante de que ninguém é intocável. Nem mesmo eu.
Quando chegamos ao hospital, o ambiente estéril e o cheiro penetrante de antisséptico me atingiram como um soco no estômago. Eu odeio hospitais. Eles cheiram a derrota, a doença e à espera agoniante pela morte. Caminhamos a passos largos pelos corredores silenciosos até a ala VIP, onde a segurança da Tríade já estava postada em pontos estratégicos, com as mãos sob os paletós.
Quando entrei no quarto, encontrei Matteo sentado na poltrona ao lado da cama de Adrian.
— Como ele está? — perguntei, minha voz saindo mais grave e rouca do que o normal.
Matteo levantou a cabeça lentamente, o olhar cansado e sem brilho encontrando o meu. Ele deu um suspiro longo, passando a mão trêmula pelo rosto marcado pela exaustão.
— Estável, dentro do possível. A viagem do vilarejo para cá foi desgastante para ele, mas Adrian é duro na queda e aguentou bem o trajeto. Ele já esteve acordado por alguns minutos, mas ainda está muito grogue por causa da medicação pesada para dor. Acabou dormindo novamente agora há pouco.
Aproximei-me e coloquei a mão no ombro de Matteo, sentindo a tensão rígida nos seus músculos. Ele era leal até o fim, mas estava operando no limite.
— Matteo, vá para a mansão. Agora. Tome um banho, coma algo decente e descanse. Você está nesse hospital desde a madrugada, sem pausa. Não adianta nada termos dois homens caídos se você desmaiar de exaustão no meio do corredor.
Ele tentou protestar, o instinto de proteção e dever falando mais alto que o cansaço.
— Eu posso aguentar mais um pouco, Massimo. Quero estar aqui caso ele acorde de novo e precise de algo urgente.
— É uma ordem, não um pedido — retruquei, mantendo o olhar firme, aquele olhar que não aceitava discussões. — Vá agora. Eu vou ficar aqui com ele esta noite. Eu assumo o posto.
Matteo concordou silenciosamente, sabendo que eu não cederia. Ele se levantou com os movimentos pesados de quem carrega o mundo nas costas e se retirou do quarto.
Assim que ele saiu, fiquei em pé ao lado da cama de Adrian. O som rítmico e eletrônico dos aparelhos era a única coisa que preenchia o vazio do quarto. Ver Adrian ali, pálido e imóvel, era um contraste violento com o homem que eu conhecia. Ele sobreviveu a uma queda de avião, algo que mataria noventa por cento das pessoas, mas o preço foi alto. Não demorou muito para que o médico de nossa inteira confiança entrasse no quarto para me passar o boletim médico atualizado.
— Don Massimo — o Dr. Suzanno saudou com uma breve inclinação de cabeça. — O Adrian está se recuperando conforme o esperado, dada a gravidade da situação. O trauma do acidente de avião foi severo, com múltiplas contusões e hemorragias controladas, mas a resistência física dele é verdadeiramente impressionante. O foco agora é a cicatrização dos tecidos e a fisioterapia respiratória para evitar pneumonia. A transferência para este hospital foi a decisão correta; aqui temos recursos e monitoramento que o vilarejo jamais teria condições de oferecer.

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