POV: Chiara
O som do meu celular vibrando sobre a mesa de madeira soou como um trovão no silêncio produtivo da manhã. Eram pouco mais de 9:30. Quando vi que a chamada vinha do hospital, meu estômago despencou. O ar pareceu sumir dos meus pulmões antes mesmo de eu dizer "alô".
— Senhorita Rossi? — A voz da enfermeira era profissional, mas carregava aquela cautela que só se usa com quem está prestes a receber notícias ruins. — Você precisa vir ao hospital. O Dr. Arcuri quer falar com você pessoalmente sobre o quadro do seu pai.
— Aconteceu algo? Ele está bem? — perguntei, minha voz saindo fina, o pânico já começando a formigar nas pontas dos meus dedos.
— O médico dará os detalhes assim que você chegar. Por favor, tente vir o quanto antes.
Desliguei o telefone com as mãos tremendo tanto que quase derrubei o aparelho. Peguei minha bolsa de qualquer jeito e fui praticamente correndo até a sala de Orion. Bati e entrei sem esperar o convite.
— Orion, eu preciso ir ao hospital. Agora. É uma emergência com meu pai — disparei, a respiração curta.
Orion levantou os olhos do tablet, me avaliando com aquela frieza corporativa que eu tanto detestava. Ele suspirou, recostando-se na cadeira.
— Tudo bem, Rossi. Pode ir. Mas espero que você compense essas horas no fim de semana. O trabalho não vai se fazer sozinho.
— Eu compenso. Eu faço o que for preciso. Obrigada — eu disse, já girando nos calcanhares e saindo. Eu não tinha tempo para a arrogância dele.
Desci pelo elevador sentindo cada segundo como se fosse uma hora. Assim que saí na calçada, acenei desesperadamente para um táxi. O trajeto até o hospital foi um borrão de carros, luzes e o som da minha própria pulsação martelando nos ouvidos. Eu rezava. Rezava para que fosse apenas um susto, para que ele tivesse apenas tido uma febre ou uma noite ruim.
Cheguei ao hospital e quase corri pelo saguão, o cheiro de antisséptico me atingindo como um soco. Fui direto para a ala de oncologia. O Dr. Arcuri já me esperava no corredor, com uma prancheta na mão e uma expressão que me fez querer dar meia-volta e fugir.
— Chiara, vamos para o meu consultório — ele disse, colocando a mão suavemente no meu ombro.

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