POV: Massimo
Entrei em casa sentindo o peso do dia nos ombros, mas a adrenalina da invasão matinal ainda corria, silenciosa, nas minhas veias. O cheiro de pólvora e sangue parecia impregnado na minha pele. Fui direto para o banheiro, deixando a água escaldante lavar a sujeira da invasão e o rosto de Moretti da minha mente.
Vesti apenas uma calça de moletom preta e caminhei descalço até o meu escritório particular. A luz da manhã entrava pelas frestas das cortinas, iluminando as partículas de poeira no ar. Sobre a mesa de carvalho escuro, uma pasta de couro preta me esperava. O dossiê de Chiara Rossi.
Servi-me de um copo de whisky, o gelo estalando contra o cristal, e me sentei na poltrona. Abri a pasta com uma calma deliberada. Eu queria saborear cada descoberta.
A primeira folha trazia uma foto dela. Não era a imagem profissional que eu vira na empresa. Era uma foto espontânea, ela sorria para a câmera com um brilho nos olhos que me atingiu como um soco.
— Chiara Rossi — sussurrei, deixando o nome rolar pela língua.
Comecei a ler os fatos secos e frios que meus analistas haviam reunido:
Nome Completo: Chiara Maria Rossi.
Idade: 26 anos.
Altura: 1,70m (uma miniatura perto de mim, pensei).
Filiação: Filha de Marco Rossi e Elena Rossi (falecida em 2000 devido a complicações no parto).
Nacionalidade: Italiana, nascida e criada em Milão.
Passei os olhos pela descrição do seu cotidiano. Ela morava em uma casa modesta no bairro de Isola, um lugar charmoso, mas longe do luxo que eu poderia oferecer. Trabalhava como secretária administrativa em uma das minhas subsidiárias tecnológicas. Era irônico; ela passava os dias processando dados de uma engrenagem que me pertencia, sem ter a menor ideia do sangue que lubrificava aquelas máquinas.
Sua vida social era limitada. A única conexão constante era Giulia Bianchi, sua melhor amiga desde os tempos de escola. No histórico amoroso, apenas dois nomes que não me causaram nenhuma preocupação: Luca Valenti e Pietro Santoro. Relacionamentos de curto prazo, homens comuns que claramente não sabiam como lidar com a intensidade de uma mulher como ela. Eu faria com que ela esquecesse que eles sequer existiram.
Mas então cheguei à parte que realmente importava. A vulnerabilidade.
O pai dela, Marco Rossi, estava internado no Hospital San Raffaele, uma unidade de referência, mas cara. O relatório era detalhado: Câncer de pulmão, estágio terminal, agora com metástase confirmada. O médico responsável, Dr. Arcuri, havia atualizado o quadro naquela manhã como "crítico".
Fechei a pasta lentamente, o olhar perdido na parede oposta. Ela estava desesperada. Eu conseguia sentir o cheiro do medo dela daqui. O custo para manter Marco Rossi vivo naquele hospital, com o tratamento de ponta que ele precisava, era uma fortuna que ela nunca teria.

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