POV: Chiara
O brilho das luzes da cidade de Milão passava como vultos pela janela do carro enquanto o motorista nos conduzia em direção ao coração da vida noturna da cidade. Eu estava sentada no banco de trás, ladeada por Giulia e Sofia, e conseguia sentir a eletricidade no ar. Giulia não parava de mexer no cabelo, cheia de uma empolgação contagiante que me fazia esquecer, pelo menos por alguns instantes, o peso daquela semana infernal no escritório. Sofia, por outro lado, exalava uma confiança natural, como se o mundo fosse o seu playground particular e ela soubesse exatamente onde ficavam todos os brinquedos divertidos.
Quando o carro finalmente parou, meu coração deu um salto. O prédio diante de nós era imponente, uma estrutura de arquitetura clássica que parecia guardar segredos em cada uma de suas janelas escuras. Estávamos em frente à Velvet Noir, uma das boates mais luxuosas e exclusivas de Milão. Eu já tinha ouvido falar do lugar — o tipo de clube onde o valor de uma única garrafa de champanhe poderia pagar o meu salário por meses.
Olhei pela janela e vi uma fila que parecia não ter fim, estendendo-se pela lateral do prédio e curvando-se para a parte de trás. Pessoas impecavelmente vestidas aguardavam sob o frio da noite, esperando por uma chance de serem notadas. Acima de duas portas vermelhas vibrantes, o letreiro em neon brilhava com uma sofisticação agressiva. Na frente, um segurança que mais parecia uma parede de músculos vigiava a entrada.
O motorista saiu e abriu a porta para nós com uma reverência profissional. Quando coloquei os pés no asfalto, senti o peso dos olhares da fila sobre nós. Eu sabia que éramos o centro das atenções. Giulia e Sofia saíram logo em seguida, e fomos conduzidas diretamente para a frente da fila. Notei o espanto em alguns rostos e a irritação clara em outros; ninguém gosta de ver alguém passando à frente, mas naqueles círculos, o sobrenome que Sofia carregava era a chave mestra para qualquer fechadura.
Mantive meu olhar focado à frente, a postura ereta. O segurança mal encarado mudou instantaneamente de expressão ao reconhecer Sofia. Ele assentiu com um respeito quase reverencial, deu um passo lateral e puxou a grossa corda de veludo que bloqueava a entrada. Para mim, aquilo parecia uma cena de filme, mas para Sofia, era apenas mais uma sexta-feira.
As portas vermelhas e brilhantes foram abertas de par em par, e o impacto foi imediato. O som pesado e grave da música saiu como uma onda de choque, fazendo o chão vibrar sob meus pés. Logo na entrada, havia um lance de escadas luxuoso. Eu estava usando saltos altíssimos, mas a adrenalina me deu o equilíbrio necessário para descer elegantemente. Giulia segurou meu braço, os olhos brilhando.
— Chiara, olhe esse lugar! É incrível! — ela gritou perto do meu ouvido para ser ouvida.
A música ficava cada vez mais alta à medida que descíamos. No final dos degraus, um pequeno corredor nos levou ao clube principal, e foi como se entrássemos em outra dimensão. A iluminação era estrategicamente fraca, quebrada por lasers neon que cortavam o ar, luzes negras que faziam os dentes brilharem e o brilho inconfundível das garrafas iluminadas atrás do bar infinito.

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