— Don... você costumava me tratar melhor — ela murmurou, a voz como um ronronar.
— Elettra, eu não vou repetir — Massimo disse, cada palavra saindo como um estalo de chicote.
Elettra.
Aquele nome atingiu meus ouvidos e provocou um calafrio involuntário na minha espinha. Uma agonia estranha se instalou no meu peito, um ciúme que eu não queria admitir, mas que estava ali, queimando. Eu sabia aquele nome. Ou melhor, eu já tinha ouvido esse nome antes e ele tinha me garantido que não era ninguém importante. Ver a mulher de carne e osso na minha frente, com aquela carga de passado estampado no rosto, mudava tudo. Eu não gostei dela. Não gostei do jeito que ela olhava para ele, e muito menos do jeito que ela parecia conhecer os humores dele.
Ela percebeu que não conseguiria o que queria. Com um último olhar de soslaio para mim, ela deu de ombros e saiu da área VIP, desaparecendo na multidão lá embaixo. Assim que ela se afastou, Matteo soltou um suspiro de frustração, balançando o gelo em seu copo de whisky.
— Porra, Massimo... Você é um verdadeiro estraga-prazeres — Matteo reclamou, olhando para a direção onde a mulher tinha sumido. — Mandou embora a minha foda da noite. Ela era a melhor da casa.
Massimo nem se deu ao trabalho de olhar para Matteo com empatia. Seu foco estava totalmente em mim.
— Arruma outra puta se quiser, Matteo. Aquela ali já não tem mais lugar neste camarote.
Matteo soltou uma risada sarcástica e deu um gole longo em sua bebida.
— É o que eu vou fazer. Vou mandar o Cesare providenciar outra garota para mim agora mesmo. Pelo menos uma que não tenha um histórico complicado com o Don.
Eu continuei olhando para o lugar onde ela estava, sentindo um gosto amargo na boca. Eu não queria olhar para Massimo, mas ele não me deu escolha. Ele tocou meu queixo com firmeza, mas com uma doçura inesperada, forçando-me a encarar seus olhos verdes.

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