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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 209

PERSPECTVA DA SERAPHINA

Quando chegamos em casa, o céu já estava tingido com os tons de crepúsculo, o ar estava fresco e tinha um leve cheiro de chuva. Era uma daquelas noites suaves e tranquilas, quando tudo parecia estar em paz.

Daniel caminhava ao meu lado, a sua mão quente na minha. Ele estava mais calado do que o normal, o que não era totalmente estranho após um dia longo.

Mas algo no seu silêncio esta noite parecia diferente.

"Que dia, hein?" eu disse, ao entrarmos no hall.

Ele deu de ombros levemente. "Foi ok."

"Só ok?"

Ele assentiu, os olhos fixos nos tênis. "É."

Ajudei-o a tirar o casaco e o pendurei no cabide. Seus ombros estavam caídos, e eu notei uma pequena marca no joelho do jeans dele, uma que não estava ali de manhã.

"Você e os gêmeos se divertiram?" perguntei, tentando soar leve.

Houve uma pausa. Então, ele murmurou: "Eles são… legais."

O tom reservado e evasivo me deixou imediatamente em alerta. Daniel sempre foi de conversar e respostas vagas não eram do feitio dele.

Abaixei até ficarmos olho no olho. "Legais?"

Ele levantou o olhar relutantemente. "É. Mas às vezes eles podem ser meio chatos."

Arqueei uma sobrancelha. "Chatos como?"

Ele hesitou, mudando de um pé para o outro, claramente ponderando se me contava a verdade ou não.

Eu reconheci aquele olhar, era o mesmo que o Kieran usava quando era mais jovem e não queria admitir que alguma coisa o incomodava.

Caramba, ele ainda fazia aquela cara.

Finalmente, o Daniel suspirou, brincando com a barra da camisa. “É só que... sabe. Eles falam muito. Dizem... coisas. E às vezes agem como se soubessem de tudo. Mas tá tudo bem.”

Aquela não era a história completa. Eu podia sentir. Mas a última coisa que queria era fazê-lo sentir que precisava dedurar o que tinha acontecido.

Seja lá o que aconteceu com os gêmeos, ele claramente não queria causar alarde e eu não queria pressionar. Eu confiava nele o suficiente para lidar com pequenas tempestades sozinho.

Afinal, ele já enfrentou coisas piores.

Olha eu, controlando a minha natureza preocupada de mãe coruja!

“Hum,” murmurei. “Gêmeos podem dar trabalho, e o Noah e o Zach estão passando por um período difícil. Mas você lidou muito bem com eles hoje. Tô orgulhosa de você.”

Minha fala rendeu um pequeno sorriso. “É. Acho que tenho sorte de não ter irmãos assim.”

Ri suavemente. “Você gosta de ser filho único, né?”

Ele deu de ombros. “Acho que sim.”

Ele ficou pensativo por um momento, depois disse, com um sorriso quase tímido: “Mas... sabe, se um dia você decidisse ter outro bebê, eu não me importaria de ter uma irmã.”

Eu pisquei. “Uma irmã?” Outro bebê???

“É. Irmãs são mais legais. Provavelmente.”

Afastei uma mecha de cabelo da testa dele. “Nem sempre é verdade, sabia? Irmãs também podem dar trabalho.”

Ele inclinou a cabeça. “Tipo a Tia Celeste?”

Isso me fez rir alto. "Exatamente como a Tia Celeste."

Daniel também riu, e a sombra que pairava sobre ele pareceu diminuir um pouco.

Coloquei uma mão suave no ombro dele. "Ei," eu disse baixinho.

Ele olhou para mim, esperançoso, com os olhos brilhantes.

"Você sabe que pode me contar qualquer coisa, certo? Como se algo, ou alguém, estiver te incomodando. Você não precisa carregar tudo sozinho só porque vai ser o Alfa um dia."

Ele pressionou os lábios, depois os soltou. "Eu sei, Mãe."

"Ótimo." Eu sorri. "E, mesmo quando você for oficialmente o herdeiro, isso não significa que tenha que fazer tudo sozinho. Você tem a mim. Sempre."

Ele engoliu em seco enquanto assentia e, por um momento, apenas me olhou, como se estivesse estudando as minhas feições e guardando na memória.

Então, ele deu um passo à frente e me abraçou, os braços apertados ao redor da minha cintura.

Com um suspiro frustrado, fechei o laptop. O clique pareceu definitivo, quase repreensivo.

Deitada de costas nos travesseiros, olhei para o teto, onde a luz fraca da lua que passava pelas cortinas pintava padrões em movimento.

Minha mente se recusava a se acalmar. Ela pulava do sorriso tenso do Daniel, para a pulseira da minha mãe, para o colar do Kieran. Já a dor das coisas não resolvidas permanecia comigo.

Este não era o momento certo para criar algo novo, não quando a minha vida estava cheia de incertezas, não quando eu ainda estava tentando juntar os pedaços da minha própria vida.

Alcancei o laptop e o abri novamente.

Meus dedos voaram sobre o teclado enquanto eu digitava uma mensagem para a Elaine.

‘Sinceramente, Elaine? Minha cabeça está uma bagunça no momento. Há muita incerteza na minha vida e acho que não posso dar o que não tenho. Escrever parece impossível quando tudo está tão instável.’

A resposta dela veio quase imediatamente.

‘Quando você estiver pronta, Sera. A sequência pode esperar. Não se pode apressar a cura... nem a inspiração.’

Soltei uma risada aliviada.

‘Obrigada, Elaine. Você é boa demais pra mim. Eu não te mereço.’

‘Isso é bem verdade ;)’

Ri, caindo de costas na cama.

Olhei novamente para o teto e me perguntei se algum dia alcançaria um momento de clareza, quando todas as peças soltas da minha vida se encaixariam perfeitamente.

‘Você vai sim,’ a voz da Alina soou suave e a sua calorosa presença familiar me envolveu.

Soltei um suspiro, a tensão no meu peito se aliviando um pouco.

'Acha mesmo?' perguntei em silêncio.

A presença dela vibrava suavemente dentro de mim, firme e tranquilizadora.

'Tenho certeza. Além disso, você já enfrentou tempestades piores do que um bloqueio criativo.'

Um leve sorriso surgiu nos meus lábios. "É," sussurrei. "Acho que sim."

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