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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 210

PERSPECTVA DA SERAPHINA

Na manhã seguinte, levei o Daniel para tirar as medidas do seu traje cerimonial.

Há gerações, a família Blackthorne confiava em um único alfaiate: Henry Whitlow, um artesão idoso, cujas mãos, apesar das linhas da idade, ainda carregavam a precisão de décadas vestindo Alfas da NightFang.

Atualmente, Henry enviava o seu aprendiz para tirar as medidas, mas para essa ocasião, o Kieran insistiu que o próprio idoso supervisasse cada ponto do traje do Daniel.

“É tradição,” o Kieran disse, com uma sutileza rígida e cortesia na voz, quando falamos sobre isso na noite anterior. “Henry fez o meu primeiro casaco cerimonial. E o do meu pai. É justo que ele faça o do Daniel também.”

Kieran se ofereceu para levá-lo, mas o Daniel insistiu em ir comigo. Eu teria sugerido para o Kieran ir junto, mas já tínhamos tido muitos passeios como ‘família’ recentemente, e eu ainda estava me recuperando do último.

A loja do Henry ficava em uma rua tranquila, no limite da cidade. O prédio estreito, coberto de heras, parecia mais uma cabana de conto de fadas do que um local de trabalho.

O sino sobre a porta tocou quando entramos, liberando um leve aroma de linho passado, tecido antigo e o sutil toque do amido.

Rolos de pano forravam as paredes, de peles de lobo cinza-prateadas a algodões macios e veludos reluzentes. A loja cheirava a tradição, a anos de cerimônias de herdeiros e a banquetes de Alcateias costurados no tecido.

“Ah,” soou uma voz calorosa e rouca. “Então este é o jovem Alfa Blackthorne.”

Henry emergiu de trás do balcão, curvado mas firme, com o seu cabelo branco encaracolado nas pontas. Seus olhos, embora velados pela idade, tinham um brilho que imediatamente trouxe um pequeno sorriso ao meu rosto.

Daniel endireitou-se instintivamente. “Olá, senhor.”

O sorriso do Henry se aprofundou. “Educado, também. Que rapazinho distinto.”

Então, ele olhou para mim com um sorriso gentil, estendendo a mão. “Olá.”

Retribuí o sorriso e apertei a mão dele. O aperto foi quente e firme, apesar da idade. “Prazer em conhecê-lo. Eu sou a mãe dele, Seraphina.”

Ele parou de repente e os olhos se arregalando ligeiramente. "Claro. Seraphina Blackthorne. A campeã do TFL?"

Pisquei. "Ah... sim."

Então, ele riu, balançando a cabeça em descrença. "Minha neta te adora. Tem pôsteres seus espalhados pelo quarto."

Eu tinha pôsteres?!

Senti o meu rosto esquentar. "Que... gentileza dela."

"Ela vai ficar radiante ao saber que te conheci," Henry disse com carinho. "Você e o jovem Daniel são sempre bem-vindos aqui. Minha porta está sempre aberta."

Daniel sorriu orgulhosamente, como se ele fosse o vencedor do TFL. "Viu, mãe? Você é famosa!"

Ri suavemente enquanto bagunçava o cabelo dele. "Parece que sim."

Henry fez um gesto indicando um banco. "Sobe aqui, garoto. Vamos ver com que tipo de Alfa estamos lidando."

Quando o Daniel subiu no banco, o aprendiz do Henry, um jovem quieto que parecia ter pouco mais de dezoito anos, se aproximou com alfinetes e uma fita métrica. Porém, o Henry o dispensou.

"Hoje não, Walter. Vou cuidar desse aqui eu mesmo. O garoto merece um toque pessoal."

Walter assentiu e se afastou respeitosamente.

Observei enquanto o Henry trabalhava com uma precisão impressionante, passando a fita métrica pelos ombros e braços do Daniel.

"Você é mais alto do que seu pai era na sua idade," comentou ele.

Os olhos do Daniel se arregalaram. "Sério?"

"Oh, sim," o Henry disse com um brilho no olhar. "Seu pai era um garotinho magrinho, sempre subindo onde não devia e rasgando todas as costuras que eu fazia em uma semana."

Ergui uma sobrancelha, achando o comentário tanto divertido, quanto surpreendente. "Isso não soa nada como o Kieran."

Henry riu. "Ah, é verdade, Seraphina. Travesso que só ele. Uma vez, ele subiu na minha mesa de corte atrás de uma mariposa e derrubou um rolo inteiro de seda com fio de prata. Eu quase desmaiei."

Daniel riu tanto que quase caiu do banquinho. "Meu pai fez isso?"

"Tudo bem, Henry," cedi. "Se você tem certeza."

"Com toda certeza," ele disse, já pegando uma fita métrica. "Daniel pode ser o homenageado, mas ninguém será capaz de tirar os olhos de você."

***

Após sairmos da loja do Henry, o Daniel balançava nossas mãos dadas enquanto caminhávamos pela rua. "Podemos almoçar? Tô morrendo de fome."

"Já? O café da manhã foi há menos de duas horas," eu brinquei.

"Queimei calorias ficando parado," ele disse solenemente.

Eu soltei uma risada. "Ah, é mesmo?"

Ele arqueou uma sobrancelha, parecendo demais com o pai dele. "Vai me alimentar ou não?"

Eu ri, bagunçando o cabelo dele. "Vamos lá, espertinho."

Acabamos indo em um restaurante familiar escondido entre duas boutiques com fachada de vidro. Ele tinha cabines iluminadas, uma decoração acolhedora e um leve murmúrio de conversas tranquilas que fazia tudo parecer confortavelmente comum.

Daniel se acomodou na mesa perto da janela, já começando a contar detalhadamente como as ferramentas de medição do Henry eram incríveis e como ele definitivamente ia aprender a costurar algum dia, "só pra fazer uma capa pro Wolfy."

A energia dele era contagiante, uma faísca cintilante que arrancava sorrisos sincero de mim enquanto eu olhava distraidamente o cardápio, já sabendo que acabaria pedindo a mesma coisa que ele.

Então, de repente, o clima da rua lá fora mudou. Um latido agudo, uma voz elevada e o choro distante de uma criança assustada rompeu o leve barulho do restaurante.

Cadeiras arranhavam e murmúrios aumentavam à medida que alguns clientes olhavam em direção às janelas.

Franzi a testa e um arrepio de inquietação apertou o meu peito enquanto eu levantava o olhar, com os sentidos aguçados.

"É...?" Daniel começou, com os olhos arregalados.

"Sim," eu exalei, meu estômago afundando ao ver a cena lá fora. "Parece o Maxwell e os seus furacões gêmeos."

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