POV: CLARA CAVALLIERI
Parei, olhei para as mãos dela e depois fixamente nos olhos amargurados daquela mulher. Aurora parecia ter um limão azedo permanentemente preso na garganta.
— Eu não me importaria de ajudar, Aurora... mas não vou — respondi, com uma calma que eu nem sabia que tinha. Senti um superpoder crescendo dentro de mim.
Ela soltou uma risada debochada, batendo os talheres no prato com uma agressividade desnecessária.
— Você se acha demais, não é? Deu a sorte de engravidar de um homem poderoso e agora age como se o mundo estivesse aos seus pés. Mas não passa de uma aproveitadora.
Dessa vez, o veneno dela não me feriu. Ele serviu como o meu café da manhã: me deu combustível.
— Engraçado... você chama de sorte? Eu chamo de destino — retruquei, levantando-me lentamente, como se estivesse em um desfile de moda. — Já você, Aurora, parece ter um azar terrível, não é? Está aí, amarga e completamente sozinha nessa casa enorme.
Ela levantou num pulo, o rosto ficando de um tom de vermelho que combinava com as cortinas velhas da sala.
— Você não pode falar comigo desse jeito na minha casa!
Dei a volta na mesa e parei a centímetros dela, ignorando o bafo de amargura. Apontei o dedo diretamente para aquele rosto cheio de rugas de ódio.
— Escuta aqui. Nós te respeitamos por causa das meninas. Eu sei que você as ama e elas gostam de você. Mas se você continuar com esse comportamento, você nunca mais põe os olhos nelas.
Ela tentou abrir a boca para protestar, mas eu não deixei nem um milímetro de espaço.
— Eu não sei se você sabe, mas elas têm planos de cursar medicina aqui no Rio e morar com você no futuro. Se você não quiser perder a única família que ainda te resta, é melhor começar a ser menos inconveniente, por favor.
Aurora, fora de si, agarrou meu braço com força.
— Você está se achando demais, garota!
Puxei meu braço com violência, encarando-a com um olhar gélido, digno de uma vilã de novela mexicana (daquelas que a gente ama odiar).
— Estou me achando? Não, Aurora. Eu sou. — Não sei de onde surgiu essa coragem, mas obrigada, Deus! Foi bom demais me livrar desse peso.
Nesse momento, ouvi os passos do Adrian voltando. Ele parou na porta, sentindo que o clima estava mais pesado que o teto da casa.
— Está tudo bem aqui? — perguntou ele, estreitando os olhos para a tia.
Olhei para a Aurora uma última vez, saboreando a cara de tacho dela, e me virei para o meu marido com o meu melhor sorriso de comercial de pasta de dente.
— Está tudo ótimo, meu amor. Só estávamos nos entendendo.
Caminhei até ele e passei os braços pelo seu pescoço, ignorando completamente a presença da "querida" tia atrás de mim. Puxei o rosto dele para um beijo profundo e bem possessivo — com plateia é sempre mais gostoso. Quando nos separamos, sussurrei alto o suficiente para as paredes ouvirem:
— Eu te amo, Adrian.
— Eu te amo muito mais, Clara — ele respondeu, com aquela voz que faz minhas pernas virarem gelatina.
Saí da sala sentindo-me leve como uma pluma. A formatura no sábado seria o começo da minha nova vida, mas a minha graduação em "colocar gente amarga no seu devido lugar" eu tinha acabado de tirar com nota dez e louvor.
Subi as escadas quase saltitando. No quarto amplo, a cena era de pura paz: Sandra e Larissa descansavam em um canto, enquanto Ângela e Geovana estavam esparramadas na cama gigante, cada uma segurando a mamadeira das minhas pequenininhas, Helena e Isadora, que sugavam com toda a vontade do mundo.
Aproximei-me das babás e estendi um cartão.
— Elas não deveriam estar dormindo? — Ele apontou para as gêmeas bebês, arqueando a sobrancelha, mas o sorriso no canto dos lábios o entregava.
— Deveriam, mas elas querem ficar acordadas! Elas podem, papai? — perguntei, provocando-o com um olhar cúmplice.
— Se a mãe está dizendo, claro que pode — ele cedeu, relaxando os ombros.
— E a gente decidiu que maratonar filmes é melhor! — Geovana respondeu prontamente, puxando-o para o espaço que sobrou no meio da cama.
Ele se deitou entre elas, e eu fiquei ao lado da Ângela com as bebês. Eu ia ter que dividir o abraço do meu homem com outros corações ali, mas não havia lugar no mundo onde eu preferisse estar. Geovana ligou a televisão e colocou Velozes e Furiosos 5.
— Já que estamos no Rio, nada mais justo — ela brincou, fazendo todo mundo rir.
Enquanto a ação acontecia na tela e os carros voavam pelas ruas do Rio fictício, eu aninhei minhas filhas no peito dele. As pequenas finalmente cochilaram, embaladas pelo som da nossa família real, imperfeita e unida. Levantei devagar e as coloquei na cama, no canto, protegendo-as com travesseiros para não se machucarem.
Dei um tapinha discreto na Ângela. Ela me olhou e eu apenas abaixei a cabeça de leve; ela entendeu o sinal na hora. Era hora de colocar o nosso plano em ação. Me aproximei do Adrian, colocando minha perna em cima da dele e a cabeça em seu ombro.
— As babás voltam às sete — sussurrei em seu ouvido, sentindo o calor da pele dele. — Podíamos deixar as meninas no shopping... tenho uma surpresa para você.
— Surpresa? — Ele virou o rosto, os olhos escurecendo instantaneamente de curiosidade. — O que é?
— Você vai ter que esperar para ver, Adrian. Mas envolve eu, você e nossos corpos sem roupas — finalizei, deixando a promessa no ar.
Ele sorriu e beijou o topo da minha cabeça, visivelmente satisfeito e intrigado.
(( E ai vocês gostam desses cap.. mais leves e momentos em famílias.)))

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
Eu recomendo o romance: O Bilionário Obsecado e a Babá Virgem do Club Proibido. Ao ler o romance fui transportada para um mundo paralelo cheio de sentimentos, amor, sedução e prazer. Foi uma leitura intensa prazerosa que fez florescer em mim desejo que eu não sabia que tinha. Parabéns!!!...