Capítulo 117 — Abuso de Autoridade
Dominic Costello
A mansão do Damien estava se transformando em uma filial do próprio inferno, e eu não estava gostando nem um pouco de ver o rumo que as coisas estavam tomando. Eu tentava organizar mentalmente a bagunça que os meus irmãos estavam enfrentando.
O Tristan lidando com o golpe da Giovanna, o Damien prestes a receber a ex-sogra e, para completar o circo, o Ozzie aparecendo com a Katlyn a tiracolo, fugida de um político psicopata.
Era problema demais para uma fraternidade só.
Mas, de verdade, nada disso estava me incomodando tanto quanto a mulher parada bem na minha frente.
Assim que entramos no nosso quarto e a porta se fechou, a Taylor cruzou os braços sobre o peito e fixou aqueles olhos impertinentes em mim. Ela estava me encarando com uma pose de julgamento desafiadora, como se eu fosse o culpado de alguma coisa, como se eu tivesse feito algo muito errado nas últimas horas. Minha paciência, que já estava por um fio, simplesmente evaporou.
— Você pegou o meu celular escondido, Taylor. Eu quero saber o porquê — exigi, mantendo a voz firme, no meu tom habitual de comando.
Ela soltou um riso soprado, balançando a cabeça com uma audácia que sempre conseguia me testar.
— Eu precisava dele para localizar uma pessoa, Dominic. Só isso.
Fechei a distância entre nós, sentindo a irritação pulsar na minha têmpora.
— Só isso? Você tem noção da gravidade do que fez? Você usou as minhas credenciais, entrou no meu login criptografado do FBI para resolver um assunto de uso pessoal! Você violou um protocolo federal de segurança!
Taylor não se intimidou. Ela deu um passo à frente, sustentando a minha proximidade com um sorriso cínico nos lábios.
— Ah, por favor, grandão. Como se você nunca tivesse feito exatamente a mesma coisa. Vai me dizer que nunca usou a máquina do FBI para fins puramente pessoais? — ela perguntou arqueando uma sobrancelha.
— É completamente diferente! — rebati, o maxilar travado. — Sempre que eu acessei o sistema fora do protocolo, foi para proteger a minha família. Para garantir a segurança dos meus amigos.
— E as meninas são a minha família agora — ela disparou no mesmo tom, os olhos faiscando. — Se os meninos são a sua família e você faz tudo por eles, elas são a minha. Eu fiz o que fiz para proteger a Bree.
Respirei fundo, tentando manter o controle e fazer aquela cabeça dura entender a realidade.
— Eu não estou me importando com a sua amizade com as meninas, Taylor. O que você precisa entender, de uma vez por todas, são os riscos reais dessa brincadeira. Eu sou o encarregado regional do FBI. Minhas ações têm consequências diretas na minha carreira, e eu sei como contorná-las. Mas você? No sistema, você não é nada além de uma civil cometendo uma infração grave. Se alguém rastreia o seu acesso, eu não vou conseguir te blindar.
A discussão continuou a subir de tom, as palavras ricocheteando pelas paredes do quarto. A Taylor começou a se irritar de verdade com o meu sermão, e eu fui ficando ainda mais bravo, porque, pela lógica da situação, era eu quem tinha todo o direito de estar furioso ali.
Eu era o lesado, eu era o agente que teve a privacidade e o trabalho invadidos. Ela não tinha motivo nenhum para estar armada daquele jeito.

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