Capítulo 137 — O Grande Prêmio
Aubrey Fox
Eu estava firmemente presa entre os braços do Tristan, sentindo o calor do corpo dele me envolver enquanto os primeiros raios de sol começavam a cortar as cortinas e a iluminar o quarto dele na mansão.
Estava tudo calmo, até que um estalo biológico errado aconteceu. Primeiro, veio uma sensação extremamente estranha e nodosa no fundo do meu estômago, uma queimação súbita; logo em seguida, a minha boca pareceu se encher de saliva de uma vez só.
Abri os olhos em um sobressalto de puro pânico ao notar o significado imediato daqueles sintomas. Me soltei do aperto dele com uma agilidade que eu nem sabia que possuía e corri desesperada em direção ao banheiro.
— Amor?! — ouvi a voz rouca do Tristan ecoar do quarto, completamente confusa e assustada ao acordar no susto com a minha fuga repentina.
Mas eu não tive tempo de parar ou de responder. Assim que cruzei a porta do banheiro, me inclinei com violência sobre o vaso sanitário e joguei fora absolutamente tudo o que eu havia comido na noite anterior.
Senti as minhas pernas fraquejarem tanto com o impacto que acabei me abaixando com tudo, apoiando os joelhos no piso frio e abraçando a porcelana do vaso. Dessa vez, os espasmos pareciam muito mais intensos e dolorosos.
No meio daquele inferno, me senti vivendo aquela cena clássica do filme O Pestinha, (que eu adorava assistir nas tardes de domingo com a minha mãe), porque os vômitos definitivamente não vinham de forma calma; eram jatos violentos e contínuos que me deixavam completamente sem ar.
Senti a aproximação de um corpo quente logo atrás do meu e, no milésimo de segundo seguinte, as mãos firmes do Tristan juntaram os meus cabelos com cuidado, os afastando do meu rosto para me dar espaço.
— Meu Deus, amor… O que está acontecendo com você? — a voz dele, transbordando uma preocupação genuína e urgente, ecoou pelas paredes do banheiro.
Eu não consegui responder. Minha garganta travou quando lancei mais um jato pesado no vaso, tremendo inteira sob o toque dele.
Quando o meu estômago finalmente se esvaziou por completo e achei que tinha vomitado por mim, pela minha mãe e por toda a minha terceira geração de antepassados, tentei empurrar a mão dele para longe com o resto de forças que me sobrava.
— Deus, que vergonha… Por favor, Tristan, sai daqui e me deixa sozinha. Você não precisa ver essa cena horrível.
Tristan simplesmente ignorou o meu protesto com a sua teimosia habitual. Ele esticou o braço, baixou a tampa do vaso com firmeza, deu a descarga e, antes que eu pudesse reclamar, me pegou no colo de uma vez só, me suspendendo do chão como se eu não pesasse nada.
— Tristan… — murmurei, escondendo o rosto no pescoço dele, morta de vergonha da minha situação degradante.
Ele caminhou até a bancada e me sentou com cuidado sobre o mármore da pia, deixando um beijo terno na minha testa.
— Você acha mesmo que um mal-estar bobo desses tem o poder de me assustar, Aubrey? Por favor. Você faz alguma ideia de quantas vezes eu precisei ajudar e carregar cada um dos caras da fraternidade na nossa época de faculdade depois de um porre? Isso aqui não é nada.
Dei um sorriso fraco e grato para ele, sentindo o meu peito amolecer.
Tristan pegou um copo de vidro, encheu de água filtrada e me entregou para que eu pudesse enxaguar a boca. Enquanto eu fazia isso, ele pegou uma toalha de rosto macia, a umedeceu na torneira e começou a passá-la com uma delicadeza extrema pelas minhas bochechas e pela minha testa, limpando o suor frio.
— O plano agora é o seguinte: você vai tomar um banho morno para relaxar, vai tentar comer alguma coisa leve que vou pedir para a sua tia preparar e depois nós vamos direto para o hospital fazer exames — ele ditou as ordens, e os seus olhos verdes endureceram um pouco, adotando aquela postura de comando irredutível.
Neguei prontamente com a cabeça, tentando descer da pia.
— Nada disso, Tristan. Eu não vou para hospital nenhum. Eu tenho é que descer agora mesmo para ajudar a minha tia a arrumar a mesa do café da manhã para toda aquela gente, isso sim. Você está de férias, eu não.
Ele segurou o meu rosto entre as suas duas mãos, bloqueando os meus movimentos e me forçando a sustentar o seu olhar severo.
— Não, você não vai fazer nada disso. Você vai fazer exatamente o que eu acabei de te dizer, Aubrey. Sem discussões.
— Eu não posso simplesmente abandonar as minhas obrigações com a mansão e com o Damien desse jeito, Tristan. Eu sou a copeira aqui — mantive os meus olhos fixos nos dele, tentando apelar para o seu lado racional.
— Então peça demissão agora mesmo — ele rebateu de forma imediata, sem um milésimo de hesitação na voz. — Mas que nós vamos ao médico hoje para descobrir o real motivo de você estar passando tão mal assim desde ontem, isso nós vamos. Eu não vou ficar assistindo você se desgastar.
Eu estava prestes a retrucar e a iniciar uma discussão calorosa com ele sobre o meu orgulho e o meu dinheiro, mas a menção à palavra "hoje" ecoou na minha mente como um trovão, desencadeando um estalo de pura adrenalina no meu cérebro.
Minhas defesas caíram e a realidade do laboratório me atingiu em cheio, me fazendo esquecer de tudo o resto por alguns instantes.
— É hoje! — exclamei, a voz subindo um tom enquanto eu me soltava do toque das mãos dele, pulando da bancada da pia e correndo descalça de volta para o quarto.
— Aubrey! É hoje o que? Do que você está falando? — Tristan perguntou, vindo logo atrás de mim com passos largos e o cenho totalmente franzido em pura confusão.
Corri até o criado-mudo, peguei o meu celular com as mãos trêmulas e abri rapidamente o aplicativo do laboratório. Mas, assim que a página de login carregou na tela inicial pedindo os dados de acesso, soltei um xingamento baixo de pura frustração.
— Merda… A senha!
Girei o corpo e corri em direção ao canto do quarto onde a minha bolsa estava jogada sobre a poltrona. Tristan se adiantou com a sua agilidade física, parou bem na minha frente como uma muralha humana e bloqueou completamente a minha passagem, cruzando os braços sobre o peito. E Deus, que peito…
— Aubrey, dá para parar um segundo e me explicar o que diabo está acontecendo?
Levantei os meus olhos marejados para encará-lo de frente, sentindo o pânico tentar dominar os meus pensamentos. Eu não podia contar a verdade para ele. Não agora, não no meio daquele quarto e sem saber o resultado daquele teste.

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