Capítulo 143 — Linhas de Sabotagem
Tristan Blackwood
Eu ainda estava flutuando, completamente radiante com a notícia avassaladora da gravidez da Aubrey. Para ser bem sincero, eu achava que aquela felicidade absurda que havia tomado conta de mim nunca mais iria passar.
No fundo da minha alma, eu também guardava esperanças reais de que a Ester conseguiria desmascarar a Giovanna de uma vez por todas, provando que o filho que ela carregava não era meu, porque o meu instinto de homem gritava que aquilo era uma farsa.
No entanto, eu evitava tocar nesse assunto com a Bree. Minha mulher já estava sofrendo por antecipação, assombrada pelo medo de que eu rejeitasse o bebê da Giovanna como ela foi rejeitada um dia; se ela descobrisse que eu estava movendo o mundo para desmascarar aquela gravidez, ela poderia interpretar o meu gesto de forma totalmente errada, achando que eu só queria me livrar de uma responsabilidade, e não buscando a verdade.
Eu estava oficialmente afastado da rotina pesada dos negócios há algumas semanas. O Damien me mantinha perfeitamente a par de tudo, mas existiam certas decisões corporativas que exigiam a minha assinatura e o meu parecer técnico de sócio.
— Preciso que você leia estes contratos com o máximo de atenção, Stan. É sobre a fase final da fusão com a empresa europeia — Damien disse, estendendo as pastas de couro sobre a mesa do escritório.
— Você sabe muito bem que confio plenamente no seu julgamento, Dam. Podia ter levado essa assinatura adiante sem mim. — avisei, passando os olhos rapidamente pelas cláusulas do documento.
— Eu sou extremamente grato pela sua confiança, irmão, mas você sabe que tem coisas contratuais em que o seu faro de mercado é consideravelmente melhor do que o meu. — ele justificou com um sorriso de canto.
Assenti com a cabeça e voltei a focar a minha atenção no trabalho. Meu celular vibrou sobre a mesa. Olhei para a tela e vi que era uma mensagem de texto do Elijah:
“Pode mandar acender a churrasqueira que nós já estamos entrando em Hoboken.”
Sorri antes de responder somente um:
“Ok”.
Levantei os olhos na direção do Damien.
— O Eli está chegando com a Mia, a Ester e a bebê. Eles vão dar uma olhada nas meninas, mas querem churrasco. — falei rindo, e Dam sorriu também.
— Perfeito. Vamos liquidar esses papéis logo de uma vez, porque o que mais quero é isso. Curtir esse final de semana em família. — assenti ajeitando a caneta.
Mas, antes que ambos pudéssemos voltar a focar a atenção na papelada, um grito estridente, agonizante e desesperado ecoou pelas paredes do corredor, gelando a minha alma no mesmo milésimo de segundo.
O som fez os pelos do meu corpo se arrepiarem de pânico. Damien desviou os olhos imediatamente para o monitor que exibia os feeds em tempo real das câmeras de segurança e xingou alto, a voz carregada de horror:
— MERDA!!
Ele levantou da cadeira jogando tudo para o alto e correu em direção à porta, e eu fiz exatamente o mesmo, o meu coração martelando contra o peito com uma força violenta.
Assim que cruzamos o portal e chegamos ao hall principal, o meu mundo simplesmente parou de rodar. O ar sumiu por completo dos meus pulmões e uma dormência gélida invadiu as minhas extremidades.
Corri desesperado até o pé da escada, onde a Aubrey estava caída.
— Amor… Meu Deus, amor… — murmurei, a minha voz saindo embargada enquanto eu fazia menção de pegá-la nos braços de qualquer jeito para tirá-la dali.
— Stan, para! Não mexe nela! — a mão firme do Dominic segurou o meu ombro com uma força brutal, me travando no lugar. — O Ozzie já está na linha com a emergência chamando a ambulância. Nós não podemos mexer no corpo dela de forma alguma, cara. E se ela tiver quebrado alguma vértebra ou algo na coluna com o impacto da queda?
Desviei os meus olhos em puro pânico na direção da Leah, que estava agachada no chão, chorando copiosamente ao lado do corpo da sobrinha. E foi somente quando o meu olhar desceu e focou na poça de sangue escuro que começava a manchar o piso de mármore que as palavras de cautela do Dominic finalmente fizeram sentido na minha mente.
Aquilo não foi um simples desmaio… Aubrey veio escada abaixo.
— Ela… Ela desmaiou antes de cair? Ela… tropeçou? Como foi que isso aconteceu, Leah? — minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia controlá-las, o meu corpo inteiro refletindo o desespero brutal que me dominava por dentro.
Leah soltou um soluço alto, cobrindo o rosto, sem conseguir parar de chorar.
— Eu não sei, senhor Blackwood… Eu juro que não sei! Eu estava desocupando a mesa da sala de jantar quando ouvi um estrondo terrível vindo do hall, e quando cheguei aqui correndo, já a encontrei caída desse jeito…
A mulher desabou em lágrimas em cima das pernas da Aubrey. Abaixei meu corpo mais para perto dela, e passei a mão trêmula pelo rosto pálido da minha mulher. Eu conseguia ver a sua respiração fraca e arrastada.
— Amor, por favor… Fala comigo, abre os olhos pra mim… Por favor, minha vida… — sussurrei perto do ouvido dela, sentindo as primeiras lágrimas quentes escorrerem livremente pelo meu rosto.
Desviei os olhos por um segundo para o topo da grande escadaria de madeira, tentando entender a dinâmica do acidente, e depois voltei a focar nela. Levei a minha mão espalmada até a sua barriga plana.
— Aubrey, querida… — encostei a minha testa diretamente contra a dela, implorando mentalmente a Deus por um milagre. — Amor, aguenta firme por mim… Por nós.
O som da porta principal sendo jogada contra o batente chamou a atenção do hall. O Elijah e a Ester entraram correndo pelo saguão, ele segurava a sua maleta médica.
Minha amiga não hesitou; ela correu na nossa direção e se abaixou imediatamente ao meu lado no chão.
— O que aconteceu aqui, Tristan? — ela perguntou, o tom profissional assumindo o controle.
Balancei a cabeça de um lado para o outro em pura negação, o desespero me impedindo de formular uma frase coerente.
— Eu não sei, Ester… Eu não sei de nada. A Leah ouviu o barulho da queda e já a encontrou desmaiada aqui no mármore. O Dominic não me deixou pegá-la no colo para não piorar a lesão… Eu estou completamente desesperado, me ajuda.
Senti a mão pesada e firme do Damien se apoiar no meu ombro, me dando sustentação por trás.
— Stan, respira fundo, cara. A ambulância já cruzou os portões principais e está entrando na propriedade agora mesmo. Deixa a Ester, o Elijah e os paramédicos trabalharem em paz na triagem. Sai um pouco de cima.
Eu não queria sair dali por nada no mundo. Queria ficar colado ao corpo dela, Elijah pediu educadamente para que a Leah se afastasse por um instante para dar espaço para os procedimentos de emergência.

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