Capítulo 144 — O Gosto do Veneno
Giovanna Hampton
Eu tinha feito. Porra, eu tinha mesmo feito.
Ainda conseguia sentir a vibração da descarga de adrenalina correndo como fogo puro pelas minhas veias, fazendo meu coração martelar contra as minhas costelas em um ritmo alucinante.
Depois daquela minha conversa com a Verônica dias atrás, minha mente não havia tido um segundo sequer de paz. As palavras dela haviam funcionado como o incentivo perfeito, o empurrãozinho que faltava para despertar a minha versão mais implacável.
Ela tinha razão. Aquela copeira desgraçada de quinta categoria e o maldito bastardo que ela carregava no ventre precisavam ser eliminados se eu quisesse garantir o meu futuro e o meu lugar de direito ao lado do Tristan.
O plano, quando colocado no papel pela Verônica, tinha parecido quase ridiculamente simples. Ela usaria a sua influência e o seu dinheiro para subornar um dos seguranças do Damien. Esse infiltrado acessaria o sistema central na sala de monitoramento, desligaria estrategicamente as câmeras da escadaria e de todo o corredor do andar superior por alguns minutos, e eu… bem, eu só precisaria cuidar do resto.
Pensar no momento oportuno, no entanto, tinha sido a parte verdadeiramente difícil. Aquela casa vivia cheia, barulhenta, um formigueiro insuportável de pessoas controlando cada passo uns dos outros.
Mas, quando me escondi no corredor e ouvi a conversa daquelas idiotas ao saírem da mesa de jantar, tudo se alinhou com uma perfeição cirúrgica. Eu entendi que precisava ser hoje. E foi.
Quando a copeira avisou a sonsa da Emma sobre subir até os aposentos para colocar o biquíni, eu não perdi tempo, peguei o meu celular e mandei uma mensagem curta e direta para a Verônica. A resposta dela veio logo em seguida, um simples e gélido “ok”.
Eu tinha que admitir, aquela louca era boa demais em apagar rastros e coordenar os seus movimentos. Ela sequer quis me dar o nome do seu infiltrado na segurança, mas garantiu, com uma segurança inabalável, o êxito absoluto da minha pequena e letal missão.
Fiquei de guarda, perfeitamente oculta nas sombras do corredor superior, esperando o alvo. Quando vi aquela cretina saindo do quarto, sorridente, com os olhos brilhando e se achando a pessoa mais importante e realizada do mundo inteiro, o ódio quase me cegou.
Ela caminhava em direção à grande escadaria de madeira com uma leveza que me enojou. Para fazê-la parar, eu não precisei de muito. Bastou adotar um tom de voz manso e soltar um simples:
— Aubrey, pode me dar um minuto?
Ela travou os passos no mesmo instante, parando exatamente no topo da escada. Girou o corpo na minha direção, me encarando com aquela sua expressão pacífica e irritante de sempre.
— Algum problema? — ela perguntou, arqueando levemente as sobrancelhas.
Me aproximei a passos lentos, mantendo o meu rosto completamente impassível até estar a menos de um metro de distância dela. Olhei bem no fundo dos seus olhos verdes, deixei o meu pior sorriso nascer nos lábios e disparei:
— Sim, vocês.
Então, sem dar a ela o menor tempo de reação ou defesa, eu simplesmente avancei e a empurrei com toda a força dos meus braços diretamente contra o peito.
Foi simples. Foi rápido. Foi limpo.
O som do corpo dela colidindo contra os degraus de madeira foi a melodia mais gratificante que já ouvi em toda a minha vida. Quando me inclinei levemente sobre o corrimão e a vi estirada, completamente pálida e desmaiada na poça de sangue que começava a manchar o mármore no pé da escada, senti um orgulho indescritível inflar o meu peito.
Uma sensação deliciosa de dever cumprido. Eu não esperei no local para ver o restante do resultado ou a chegada dos socorristas; apenas dei as costas e voltei para o meu quarto em silêncio, onde permaneci trancada, torcendo internamente com todas as minhas forças para que ambos, mãe e filho, estivessem mortos.
Olhei para o relógio de pulso, vendo os ponteiros indicarem que já havia se passado pouco mais de uma hora desde o acidente. A mansão estava imersa em um silêncio fúnebre, quebrado apenas pelos murmúrios distantes que vinham do andar de baixo.
Ninguém desconfiaria de mim. Ninguém tinha me visto naquele corredor, eu havia garantido isso meticulosamente.
Ajeitei o tecido do meu vestido, passei os dedos pelos meus cabelos para garantir que nenhum fio estivesse fora do lugar e caminhei com toda a tranquilidade e segurança do mundo em direção à sala de estar principal.
Assim que cruzei o portal do cômodo, dei de cara com as “amiguinhas” da copeira reunidas. Elas estavam sentadas nos sofás, consolando umas às outras com rostos abatidos e chorosos. Uma cena verdadeiramente patética.
Parei bem no meio da sala, adotei uma postura ereta e, usando um tom de voz baixo e falsamente preocupado, perguntei:
— Aconteceu alguma coisa?
No mesmo milésimo de segundo, a Taylor levantou-se do sofá. Ela não hesitou; caminhou na minha direção com passos firmes e decididos.
Eu não gostava de nenhuma daquelas mulheres caipiras que se instalaram ali, mas pela esposa do Dominic o meu sentimento não era apenas de repulsa pura. Era cautela. Uma cautela extrema.
Eu sabia perfeitamente bem que aquela garota era consideravelmente mais ligeira, atenta e observadora até mesmo que o próprio marido, que era a porra de um agente do FBI.
Ela parou a poucos centímetros de mim. Seu olhar era uma navalha afiada me cortando de cima a baixo.
— Vai me dizer que não sabe o que aconteceu? — ela perguntou. O tom de voz dela era assustadoramente baixo, frio, quase mortal.
Senti um calafrio incômodo subir pela minha espinha, mas mantive o queixo erguido. Ajeitei a minha postura com elegância e levei uma das mãos até a minha própria barriga, forçando um semblante de fragilidade.
— Sinto muito, eu estava recolhida em meu quarto… — suspirei de forma ensaiada. — Eu não passei muito bem nessa manhã.
Taylor não respondeu de imediato. Ela continuou com os olhos cravados no meu rosto, perfeitamente atenta a cada milímetro das minhas expressões, a cada piscada ou contração do meu maxilar, como se estivesse buscando cirurgicamente uma única falha, um único deslize que me entregasse.

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