Capítulo 147 — Mudando a estratégia
Giovanna Hampton
— Senhorita Hampton… está pensando em ir a algum lugar?
A voz grave, pausada e cortante do agente Coletti ecoou pelo hall de entrada como uma barreira invisível de concreto armado, travando os meus pés no chão no mesmo milésimo de segundo.
Senti o meu corpo enrijecer por completo. Engoli o pânico que subia pela minha garganta, respirei fundo na tentativa de recompor a minha postura e me virei lentamente sobre os saltos para encará-lo.
— Sim… — forcei o meu melhor sorriso, embora soubesse que as minhas feições deviam estar rígidas de pura tensão. — Eu não estou conseguindo falar com uma amiga pelo telefone. Como ela é um pouco distraída, pensei em dar uma passadinha rápida por lá para ver se está tudo bem com ela.
Coletti não comprou a minha desculpa. Ele deu dois passos lentos e medidos na minha direção, as mãos repousando casualmente nos bolsos da calça do terno alinhado, mantendo as pupilas escuras cravadas no meu rosto de uma forma que me fez querer recuar.
— Não acho que seja prudente que a senhora saia da propriedade hoje, senhorita Hampton.
Olhei para ele, franzindo o cenho em uma confusão que, dessa vez, não era totalmente fingida.
— E posso saber o motivo de tamanha restrição? — perguntei, tentando adotar um tom de indignação aristocrática.
O agente assentiu de forma polida antes de começar a ditar a sua lógica de maneira pausada e assustadoramente calma:
— Descobrimos que alguém mexeu nas câmeras de segurança do andar de cima propositalmente. O que aconteceu com a senhorita Fox aqui no hall não foi um acidente de percurso, senhorita Hampton. Foi um ato premeditado. Agora nós precisamos descobrir a identidade do agressor e, acima de tudo, entender os seus reais motivos.
Ele deu mais um passo na minha direção, quebrando o meu espaço pessoal e fechando a distância entre nós de forma intimidadora.
— Talvez… — ele continuou, a voz caindo para um tom quase confidencial. — A pessoa que cometeu esse atentado não tenha tido a intenção direta de machucar a Aubrey em si. Talvez o objetivo real por trás desse empurrão fosse atingir diretamente ao senhor Blackwood.
Ele fez uma pausa cirúrgica, recuou um passo e concluiu com um brilho analítico nos olhos:
— E se esse for realmente o caso, a senhorita também corre um risco altíssimo de segurança ao andar desprotegida por aí. Já que, até onde todos nós sabemos, a senhorita também espera por um filho dele.
O olhar do Coletti desceu lentamente e focou na minha barriga. Por puro instinto de preservação e medo, levei a minha mão espalmada sobre o ventre, sentindo um arrepio gélido subir pela minha espinha.
Ele estava blefando? Ou estava realmente tentando me proteger de uma ameaça fantasma? Não importava. Eu precisava sair daquela mira.

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