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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 153

Capítulo 153 — Use as palavras…

Tristan Blackwood

— Não.

A resposta dela, curta, gélida e banhada em um pavor genuíno, continuou ecoando como um trovão ensurdecedor dentro da minha mente, ricocheteando nas paredes do meu crânio até anestesiar os meus sentidos.

Eu travei por completo. Cada músculo do meu corpo enrijeceu no mesmo milésimo de segundo. Minha mulher… minha Bree simplesmente não lembrava de mim. Ela não sabia quem eu era. Ela tinha perdido a porra da memória.

Tomado por um choque brutal, eu a soltei rapidamente, dando um passo para trás com as mãos trêmulas. No mesmo instante em que o meu corpo se afastou do dela, Aubrey levou as duas mãos espalmadas até as laterais da cabeça, apertando os dedos contra os fios e começou a balançar o tronco para a frente e para trás em um movimento frenético, rítmico e desesperado.

— Tá doendo… Meu Deus, tá doendo muito… — ela dizia, a voz subindo um tom, entregue a um desespero que me rasgou de cima a baixo.

Elijah agiu rápido. Ele apertou o botão de emergência no painel atrás da cabeceira do leito para chamar o suporte e, em seguida, colocou as duas mãos de forma firme e dócil sobre os ombros dela, tentando conter o seu balanço.

— Aubrey, querida… Olha para mim. Tenta se acalmar, por favor. Eu já chamei alguém da equipe de enfermagem e em breve você será devidamente medicada para aliviar essa dor. — ele tentou confortá-la, mantendo o tom manso.

Mas ela parecia simplesmente não ouvi-lo. O pânico dentro dela era um ruído alto demais. Aubrey afastou as mãos da cabeça e começou a olhar ao redor do quarto de forma errática.

Os olhos verdes dela, que sempre transbordavam uma vivacidade e um gênio forte que me enlouqueciam, agora estavam completamente perdidos, opacos e apagados. Não tinham aquele brilho verdejante e acolhedor de sempre; eram apenas duas janelas voltadas para o vazio.

Ver o sofrimento dela apagou o meu próprio choque. Voltei a me aproximar da cama a passos rápidos, ignorando o protocolo, e me inclinei sobre ela.

— Amor, tá tudo bem… Eu estou aqui. — sussurrei, tentando fazer a minha voz soar como um porto seguro no meio daquela tempestade mental.

Aubrey levantou os olhos lacrimejantes para me encarar, o queixo tremendo de forma dolorosa.

— Eu não lembro… Eu não consigo lembrar de nada… — ela voltou a chorar alto, um pranto copioso e sofrido que, porra, acabou com o resto das minhas forças.

Não consegui me conter. A puxei com total cuidado para o abrigo do meu peito mais uma vez, envolvendo o seu corpo frágil com os meus braços e comecei a depositar beijos ternos e desesperados no topo de sua cabeça, tentando protegê-la do próprio esquecimento.

— Eu não lembro… Eu não lembro… — era tudo o que ela conseguia dizer, repetindo as palavras como uma vitrola quebrada enquanto soluçava contra a minha camiseta.

A apertei ainda mais contra mim, escondendo o meu próprio rosto em seus cabelos, lutando contra o nó que ameaçava fechar a minha garganta.

— Está tudo bem, meu amor. Vai ficar tudo bem. Você vai lembrar de tudo no seu tempo, eu prometo. E eu… eu tô bem aqui com você. Eu não vou te deixar.

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